- Refuweegee, ONG criada por Selina Hales, distribuiu mais de dez mil packs de boas-vindas a refugiados e requerentes de asylum em Glasgow ao longo de dez anos.
- O apoio à imigração na cidade é desafiado por crescimento de tensões políticas e pela ascensão do Reform UK, liderado por Nigel Farage, que recebeu cerca de vinte e seis por cento dos votos em uma byelection.
- Hospitais, escolas e moradores relatam aumento de hostilidade e episódios de assédio racial, com sinais de que o debate sobre imigração se intensificou nos últimos meses.
- Glasgow enfrenta uma crise habitacional grave, com pressões financeiras sobre a prefeitura e críticas de políticos locais sobre a falta de financiamento do governo nacional para moradia e assistência.
- Nas escolas, parte dos alunos é bilíngue e o quadro é utilizado para combater a ideia de “desintegração cultural”; moradores e ativistas afirmam que a cidade continua sendo percebida como acolhedora, mesmo diante da tensão.
Refuweegee, instituição de Glasgow que atua na acolhida a refugiados, completa 10 anos fortalecendo a hospitalidade da cidade. A liderança da ONG, representada por Selina Hales, destaca o papel da comunidade local na recepção de pessoas deslocadas, mesmo diante de críticas político-ideológicas recentes. A iniciativa distribuiu mais de 10 mil packs de boas-vindas com cartas de moradores.
Nos últimos meses, o clima público em Escócia teve mudança expressiva. A Reform UK, liderada por Nigel Farage, conquistou 26% dos votos em uma byelection na região, e houve protests contra políticas de acomodação de migrantes e bandeiras hasteadas em várias cidades, incluindo Glasgow. Essas ações coincidem com tensões sobre imigração e moradia.
Refugees e moradores de Glasgow relatam aumento da sensação de insegurança entre quem recebe famílias de refugiados. O espaço de convivência da Refuweegee, que atende centenas de pessoas diariamente, tem registrado episódios de abuso racial e receio entre quem chega à cidade, segundo a organização.
Contexto local e políticas
A cidade enfrenta uma crise de moradia prolongada, com o governo local apontando impacto financeiro significativo. A prefeitura informou que parte expressiva das solicitações de visto mostra-se de pessoas refugiadas, elevando gastos públicos em uma linha de gasto prevista para além de 40 milhões de libras neste ano fiscal. O município afirma ter recebido pouca margem de apoio financeiro de autoridades nacionais.
Líderes partidários em Glasgow apontam diagnóstico distinto. A oposição acusa o governo regional de sinalização simbólica sem reforçar recursos, enquanto membros do governo estadual destacam responsabilidades compartilhadas entre autoridades nacionais e locais. A discussão envolve orçamento de moradia acessível e o papel de políticas de reassentamento.
Organizações de apoio a refugiados afirmam que o atrativo de Glasgow decorre de redes comunitárias estabelecidas ao longo de décadas. A jornalista Selina Hales ressalta que a cidade continua a ser vista como um lugar acolhedor, com moradores oferecendo ajuda prática e suporte contínuo, mesmo diante de críticas políticas.
O caso de Omar, refugiado cuja família aguardava decisão de asilo, ilustra dificuldades recentes: após a concessão do status, a família enfrentou dificuldades de moradia estável, atrasos em exames de inglês e barreiras para encontrar emprego, refletindo o impacto direto das políticas de acomodação na vida cotidiana.
O debate segue intenso em bairros como Milton, onde símbolos locais expressam frustração com a escassez de moradias. Comunidade ativa acompanha a questão, com moradores pedindo respostas concretas para evitar cenários de aumento de apoio a forças políticas de oposição.
St Andrew’s, escola pública com alunos de dezenas de origens, destaca a importância do ensino bilíngue para o desenvolvimento dos estudantes. Professores e alunos defendem que o aprendizado de múltiplos idiomas amplia oportunidades e não representa ruptura cultural, contrariamente às alegações de redução de integração.
A discussão sobre números oficiais aponta que, entre alunos bilíngues, a maioria já alcança níveis avançados de inglês. A avaliação em Glasgow indica que a diversidade linguística enriquecem as salas de aula, contrabalançando críticas sobre suposta “desintegração cultural”.
Apesar da decorrência de tensões, o movimento comunitário de Glasgow permanece ativo. Hales afirma que, mesmo com momentos de maior tensão, a resposta voluntária da população continua a se organizar: pessoas se perguntam como ajudar e quais necessidades atender no momento.
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