- O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou em declaração televisionada que o governo Trump usa ameaças criminais para pressionar o banco central a reduzir juros.
- A Justiça enviou ao Fed subpoenas de tribunal de grand jury na sexta-feira, apontando para depoimentos de Powell sobre a renovação da sede da instituição.
- A investigação questiona se Powell enganou o Congresso sobre o escopo e o custo do projeto de renovação de 2,5 bilhões de dólares.
- O tema provocou reação bipartidária em Washington, com senadores prometendo bloquear indicados de Trump ao Fed até haver esclarecimentos.
- Mercados reagiram de forma negativa, com o dólar em baixa e futuros de ações e de Treasuries oscilando, diante de dúvidas sobre a independência da instituição.
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, fez uma declaração televisiva rara no domingo para afirmar que a administração Trump tem usado ameaças criminais para pressionar o banco central a cortar juros. A afirmação ocorreu após o Fed receber subpoenas de grand jury na sexta-feira, segundo ele.
Powell disse que a ameaça de acusações criminais resulta do Fed estabelecer juros com base na avaliação de impacto público, não em pressões políticas. Ele classificou a investigação como um ataque à independência do Fed e alertou sobre risco de política monetária ser guiada por pressão externa.
Segundo apuração do The New York Times, o inquérito envolve se Powell informou erroneamente o Congresso sobre o custo do projeto de renovação do prédio-sede, estimado em 2,5 bilhões de dólares. Procuradores teriam pedido documentos sobre as obras iniciadas em 2022.
Relatório adicional aponta que a renovação pode ter superaçado o orçamento em 700 milhões de dólares, com questões como contaminação por amianto, problemas de solo e inflação de materiais. Powell negou detalhes descritos em propostas anteriores durante seu depoimento.
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Reação no Congresso e no Mercado
A investigação gerou resistência bipartidária em Washington. Um senador republicano da Carolina do Norte, que integra a comissão de Bancos, disse que bloqueia todos os indicados do governo Trump ao Fed até o desfecho do caso.
A senadora democrata líder da comissão também criticou o uso da Justiça para favorecer interesses de associados do governo. Ela pediu que o Senado interrompa a indicação de oficiais do Fed nomeados por Trump, incluindo o substituto de Powell.
O mandato de Powell expira em maio, ainda que o assento de membro do Conselho vá até 2028. Um possível substituto aparece entre nomes que já ganharam atenção nos círculos políticos e financeiros.
Mercados reagiram de modo cauteloso, com bolsa e dólar enfrentando volatilidade e futuros de Treasuries em alta, à medida que investidores avaliavam impactos na autonomia do Fed.
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Contexto e Desdobramentos
Analistas ressaltam que o episódio se encaixa num padrão de tensão entre o governo federal e o Fed, com foco em independência institucional frente a pressões políticas. Autoridades destacam a importância de decisões baseadas em evidências econômicas.
As informações sobre a investigação são tratadas como desenvolvimentos em andamento, sem conclusão anunciada. O Fed não comentou detalhes adicionais além das declarações de Powell.
Powell concluiu a fala destacando o compromisso com o serviço público e a integridade do cargo, afirmando que continuará a cumprir o que o Senado confirmou, com responsabilidade para com o povo americano.
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