Em Alta Copa do Mundo NotíciasPessoasAcontecimentos internacionaisConflitosPolítica

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

PF aponta esquema no CE que vendia emendas e cobrava propina como imposto

PF aponta esquema de venda de emendas no Ceará, liderado pelo deputado federal Júnior Mano, com R$ 800 milhões movimentados e propina de 10% a 15%

Bebeto de Choró e Júnior Mano, apontados pela PF como líderes de organização criminosa
0:00
Carregando...
0:00
  • A Polícia Federal aponta um esquema de venda de emendas no Ceará com liderança do deputado federal Júnior Mano; ele foi indiciado por quatro crimes.
  • A investigação indica quase R$ 800 milhões em recursos públicos entre 2020 e 2025, com R$ 455,5 milhões de receita entre 2023 e 2025 e caixa dois estimado em cerca de R$ 54,6 milhões.
  • Mensagens interceptadas mostram cobrança de 10% a 15% do valor das emendas, descritas como “imposto”.
  • O grupo usava emendas RP-9 (orçamento secreto) e emendas Pix para facilitar desvios, pressionando a Caixa Econômica Federal para liberar pagamentos.
  • A PF sustenta que o objetivo era financiar campanhas e ampliar o controle sobre prefeituras; Júnior Mano e Bebeto do Choró foram indiciados por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e falsidade ideológica, enquanto a defesa de Mano nega as acusações.

A Polícia Federal aponta a existência de um esquema de venda de emendas no Ceará, com participação do deputado federal Júnior Mano (PSB-CE). O relatório, encaminhado ao STF, indica indícios de repasse irregular de recursos públicos entre 2020 e 2025, envolvendo empresas ligadas ao grupo que atua no estado.

Segundo a PF, o esquema movimentou quase 800 milhões de reais, com 455,5 milhões entre 2023 e 2025 identificados como receita de empresas suspeitas. A estimativa de caixa paralelo ficou em torno de 54,6 milhões de reais, calculada a partir de operações envolvidas no desvio de emendas.

Mensagens interceptadas registram negociações de desvio entre 10% e 15% do valor das emendas, que eram tratadas como um suposto imposto. O relatório sustenta que o controle da origem e destino dos recursos reforça a hipótese de práticas ilícitas.

Entenda o funcionamento do esquema

A investigação começou em 2024, após relatos de uma ex-prefeita do Ceará. A PF acusa o deputado Júnior Mano e o empresário Bebeto do Choró de liderarem uma organização criminosa dedicada à compra de emendas com retorno financeiro para campanhas.

A atuação seria facilitada pelo uso das emendas RP-9, também conhecidas como orçamento secreto, e por transferências especiais via PIX, com baixa rastreabilidade e discricionariedade para atender a prefeitos aliados.

A PF descreve o grupo operando como uma rede de mercado de emendas, cobrando propina fixa sobre cada repasse aos municípios cearenses. Conversas interceptadas apontam para a prática de cobrança de percentuais sobre o valor das emendas.

Pressão e controle de órgãos

A apuração aponta pressão sobre a Caixa Econômica Federal para acelerar pagamentos e liberação de obras. Alegadamente, o grupo solicitava nomeação de aliados para cargos estratégicos na superintendência de governo no Ceará.

Um assessor do deputado foi designado para pressionar gerentes e técnicos do banco. Em mensagens, o grupo orientava o avanço de medições e o encaminhamento de recursos para empresas de fachada.

Outro trecho de áudio indica a busca por finalização de uma medição de contrato de pavimentação para permitir o retorno financeiro. A polícia interpreta a fala como indicação de adiantamento indevido de valores.

Papel sobre prefeituras e ramificação eleitoral

A PF sustenta que o objetivo não era apenas apoio político, mas a apropriação de prefeituras para favorecer empresas do grupo em licitações de asfaltos, transporte escolar e obras diversas. Em conversas, Mano e Bebeto discutem a influência sobre cidades como Cascavel, Morada Nova e Canindé.

Entre as falas interceptadas, Bebeto resume a lógica de obter ganhos eleitorais com facilidade, descrevendo o papel de investimento do grupo na eleição. Júnior Mano e Bebeto de Choró receberam indiciamento por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e falsidade ideológica.

O que dizem os envolvidos

A defesa de Júnior Mano negou as acusações, afirmando que não houve identificação de irregularidades no relatório final e que o deputado não participa de licitações nem controla a aplicação de recursos federais. A defesa ressaltou o vazamento de dados sigilosos em contexto político.

A defesa de Bebeto de Choró afirmou que não comenta estratégias relativas a processos em andamento, mantendo sigilo até decisão judicial.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais