- Estados Unidos planeja leilões de concessões de mineração no fundo do mar em águas federais ainda neste ano, com primeiro leilão previsto para agosto em American Samoa e outros em CNMI e Alaska.
- Críticos dizem que a estrutura regulatória atual é inadequada e carece de salvaguardas ambientais, responsabilidade financeira e comprovação de operação segura no oceano profundo.
- A regulação dos EUA é baseada em leis antigas (OCSLA e DS HMRA) e contrasta com regras em elaboração pela Autoridade Internacional dos Fundos do Leito Marinho (ISA), em águas internacionais.
- Propostas de revisão da OCSLA, divulgadas em fevereiro, são vistas por especialistas como mudanças meramente administrativas, não modernização das regras, o que aumenta a desconfiança de comunidades e ambientalistas.
- Há temores de isenções regulatórias por motivos de segurança nacional caso o setor avance, incluindo possíveis isenções da Endangered Species Act, o que poderia afetar espécies como a baleia-do-rizo (Rice’s whale).
O governo dos EUA avança com planos de explorar o fundo do mar em águas federais, com leilões de áreas para mineração programados para este ano e início de 2027. Analistas legais avaliam que as regras existentes são insuficientes para modernizar a proteção ambiental e a supervisão financeira.
Especialistas em direito marítimo afirmam que a estrutura regulatória atual é básica e não aborda requisitos de aptidão das empresas, garantias financeiras ou salvaguardas ambientais, o que eleva incertezas sobre a fiscalização. As regras vigentes derivam de leis antigas, foco histórico em exploração de óleo e gás.
O interesse público surge em meio a críticas sobre danos potenciais aos ecossistemas marinhos. Governos de áreas que podem abrigar leilões, como American Samoa, CNMI e Guam, já adotaram moratórias ou leis que limitam a mineração em zonas costeiras, sinalizando cautela local.
Leilões previstos pelo Departamento do Interior (DOI) incluem a primeira venda em agosto, em American Samoa, seguidos por outras em CNMI e Alasca. Caso ocorram, podem representar os primeiros processos de concessão comerciais para mineração em fundo oceânico no mundo.
Representantes de empresas de mineração submarina, incluindo Eco Minerals, defendem impactos indiretos baixos e destacam a importância de minerais críticos para a economia. Eles indicam potencial interesse em operar nas três áreas norteadas pelo governo.
Dentro do arcabouço regulatório, o país atua com base na Lei de Recursos Minerais da Margem Contida (DSHMRA) para águas internacionais e na Lei de Terras da Plataforma Continental (OCSLA) para águas federais. Essas leis, criadas entre 1953 e 1982, não foram pensadas para mineração profunda de modo abrangente.
Reguladores têm discutido revisões administrativas ao OCSLA, propostas para reduzir entraves e acelerar prospecção. Críticos apontam que mudanças propostas podem reduzir proteções ambientais e participação comunitária, sem modernizar plenamente o marco regulatório.
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam riscos de tornar as licenças de mineração extremamente estáveis, dificultando eventuais revisões futuras por governos. Além disso, questionamentos sobre a disponibilidade de conhecimento técnico no órgão regulador local são levantados como entrave à supervisão especializada.
Observadores legais também alertam para possíveis exceções a leis ambientais, sob o guarda-chuva de minerais considerados estratégicos para a segurança nacional. A possível classificação de atividades como parte de uma busca por minerais críticos pode abrir espaço para decisões administrativas controversas.
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