Milhares de apoiadores do ex-presidente Evo Morales marcharam em La Paz na última sexta-feira, exigindo sua candidatura nas eleições presidenciais de agosto. A manifestação ocorreu em resposta a uma decisão do Tribunal Constitucional que impede Morales de concorrer, devido a uma limitação de mandatos.
Os protestos se intensificaram quando a polícia tentou dispersar os manifestantes, resultando em confrontos que deixaram feridos, incluindo dois policiais e um jornalista. O comandante da polícia, Juan Russo, afirmou que os manifestantes estavam usando pedras e fogos de artifício, caracterizando a marcha como não pacífica.
Morales, que governou a Bolívia de dois mil e seis até sua saída em dois mil e dezenove, não compareceu à marcha, temendo ser preso. O governo, por sua vez, alertou que ele poderia ser detido caso fosse encontrado nas ruas. O ministro Eduardo del Castillo pediu que Morales se entregasse voluntariamente.
A decisão do Tribunal Constitucional, que reafirma a proibição de reeleição para presidentes que já cumpriram dois mandatos, foi criticada por Morales. Ele argumentou que as decisões judiciais são arbitrárias e favorecem os que estão no poder. O ex-presidente já havia tentado, sem sucesso, modificar a regra em dois mil e dezessete.
A marcha, que atraiu principalmente apoiadores rurais e indígenas, demonstrou a força política de Morales, mesmo após sua saída do poder. Os manifestantes, muitos vestidos com trajes tradicionais, clamaram por sua volta, destacando a insatisfação com a atual crise econômica que afeta o país.
A situação política na Bolívia continua tensa, com a possibilidade de que a exclusão de Morales das eleições possa levar a um aumento das mobilizações populares. A falta de um candidato forte pelo Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Morales, após a desistência do atual presidente Luis Arce, intensifica a incerteza política.
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