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Empresa processa cliente por reclamação feita no Google sobre seus serviços

Processos judiciais contra críticas online aumentam, gerando insegurança entre consumidores e debatendo limites da liberdade de expressão

Assustou muito, diz Michele Petter ao lembrar quando soube que tinha virado ré por conta de uma avaliação no Google (Foto: Carolina Leipnitz/BBC) Namorado e amiga de Michele, que também fizeram avaliações, tornaram-se réus (Foto: Carolina Leipnitz/BBC) Aplicativo do Reclame Aqui; crítica em plataforma foi alvo de disputa judicial entre médica veterinária e cliente (Foto: Carolina Leipnitz/BBC)
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Os processos judiciais contra consumidores que fazem críticas em plataformas como Google e Reclame Aqui têm gerado polêmica sobre liberdade de expressão e ofensa à honra. Recentemente, a influenciadora Michele Petter e dois amigos foram processados por uma avaliação negativa de uma advogada, com a autora da ação pedindo R$ 100 mil em indenização. Michele relatou que sua mãe contratou a advogada em um caso de pensão alimentícia, mas enfrentou dificuldades para obter atendimento, levando-a a deixar uma crítica negativa.

Em outro caso, uma mulher chamada Gabriela criticou a construtora de sua casa, que entregou o imóvel com problemas. A empresa processou Gabriela por R$ 10 mil, mas a Justiça decidiu a seu favor, reconhecendo que sua reclamação era legítima. Esses casos ilustram a tensão entre o direito à crítica e a proteção da honra de profissionais e empresas.

Além disso, há condenações em situações onde críticas foram consideradas excessivas. Uma cliente que chamou uma veterinária de “bandida” foi condenada a pagar indenização e retirar o comentário. Especialistas alertam que ações judiciais podem inibir críticas legítimas, recomendando que consumidores reúnam provas e evitem ofensas pessoais.

As plataformas digitais, como Google e Reclame Aqui, se tornaram canais populares para consumidores expressarem suas experiências. No entanto, a exposição pública dessas avaliações levanta questões sobre os limites da liberdade de expressão. Christian Printes, do Idec, destaca que as empresas, ao processar consumidores, podem estar adotando uma postura abusiva, inibindo críticas que muitas vezes são justas.

Por outro lado, advogados como Percival Maricato, da Abrasel, afirmam que a judicialização deve ser evitada, pois pode ser prejudicial para ambas as partes. Ele ressalta a importância de permitir que apenas casos que ultrapassem o limite da razoabilidade cheguem à Justiça. A discussão sobre a responsabilidade das plataformas em moderar conteúdo também é relevante, já que muitas críticas podem ser feitas por pessoas que nunca utilizaram os serviços.

Esses casos refletem um cenário em que consumidores se sentem cada vez mais inseguros ao compartilhar suas experiências, temendo represálias legais. A mudança de comportamento é evidente: muitos, como Michele e Gabriela, relataram que agora hesitam em deixar avaliações, temendo as consequências.

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