Integrantes de uma missão empresarial brasileira se reuniram com o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, em Washington, nesta quarta-feira, para discutir as sobretaxas de 50% impostas pelo governo americano sobre produtos do Brasil. A medida, que foi justificada por questões políticas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, está em pauta devido ao seu impacto nas relações comerciais entre os dois países.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, destacou que Landau reconheceu a natureza política do impasse, algo sem precedentes para ambos os lados. Alban enfatizou que a responsabilidade pela resolução da questão não cabe aos empresários, mas que o setor privado está disposto a colaborar se solicitado. O vice-secretário indicou que o Departamento de Estado está à frente das negociações, dada a complexidade política envolvida.
Na terça-feira, a comitiva brasileira se reuniu com a embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, e participou de uma audiência pública no Escritório do Representante de Comércio (USTR). Durante a audiência, o consultor da CNI, Roberto Azevêdo, defendeu que o Brasil respeita as normas internacionais e não prejudica a economia americana. A discussão abordou temas como desmatamento e tarifas preferenciais em acordos comerciais.
A expectativa é que as conversas avancem, embora a situação de Bolsonaro continue a ser um obstáculo significativo. Alban considerou o momento crítico e sugeriu que as autoridades dos dois países se reúnam após o julgamento do ex-presidente, previsto para o dia 12 de outubro. A missão empresarial busca fortalecer as relações comerciais e abrir novas oportunidades, enquanto a diplomacia americana enfatiza a necessidade de um diálogo focado nas questões políticas.
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