A usina hidrelétrica de Colíder, localizada em Mato Grosso, enfrenta uma grave crise, com risco iminente de rompimento. O alerta foi enviado por entidades civis à ONU, que solicitam desativação imediata, auditoria independente e um plano de descomissionamento. O documento destaca que a situação configura uma emergência socioambiental, ameaçando a vida de milhares de pessoas e a integridade de ecossistemas vitais.
A denúncia é resultado da mobilização do Movimento dos Atingidos por Barragens de Mato Grosso, do Instituto Coletivo Proteja e da Associação Indígena DACE, entre outros. A carta foi endereçada a Pedro Arrojo-Agudo, relator especial da ONU, e menciona que a usina já apresenta problemas estruturais que podem levar a um desastre em efeito dominó, afetando outras hidrelétricas da região.
Impactos Sociais e Ambientais
Relatórios técnicos indicam falhas críticas no sistema de drenagem da barragem, como erosão interna e rompimento de drenos. Durante uma vistoria recente, 14 dos 70 tubos de drenagem estavam sem medidores de pressão e cinco estavam rompidos. A Zona de Autossalvamento, necessária em caso de emergência, está incompleta, aumentando ainda mais os riscos.
A construção da usina resultou em violações sistemáticas de direitos de comunidades locais, incluindo povos indígenas e pescadores. Os impactos econômicos são significativos, com mais de 200 famílias de agricultores sem indenizações justas. Além disso, a degradação ambiental tem levado à mortandade de peixes e à ameaça a espécies ameaçadas.
Estudos indicam ainda um aumento da violência na região, com um crescimento nos índices de homicídios e agressões após a instalação do complexo hidrelétrico. As entidades denunciam que a narrativa de desenvolvimento prometida pelas hidrelétricas não se concretizou, deixando um rastro de impactos sociais e ambientais.
Medidas Requeridas
As organizações civis exigem que o governo brasileiro tome medidas imediatas para garantir a segurança das populações afetadas. A recomendação inclui a elaboração de um estudo técnico para avaliar a viabilidade da desativação da usina, além de um plano de reparação dos danos socioambientais. A situação da usina de Colíder é um retrato da negligência do Estado brasileiro e da exploração por parte do setor elétrico, alertam as entidades.
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