Donald Trump fez, na Pensilvânia, uma fala considerada centrada em custo de vida que acabou incluindo uma sequência de alegações sem comprovação sobre inflação, emprego e imigração. O discurso, apresentado em tom de evento de campanha, ocorreu nesta semana e gerou grande atenção de veículos fact-checking.
Durante a apresentação, o ex-presidente afirmou que os preços teriam caído, leitura que contrasta com dados oficiais. O índice de preços ao consumidor indica alta de 1,7% em setembro frente a janeiro, com aumento de 0,3% em setembro puxado pelo setor de energia. A afirmação de recuo generalizado da inflação não se confirmou nos registros oficiais.
O republicano também citou supostas reduções no custo do peru para o Dia de Ação de graças em comparação ao período de Joe Biden, sem deixar claro a base de comparação. Pesquisas de mercado apontam variações entre setores: a Federação de Fazendas de Alimentos aponta queda em alguns itens, mas custos de carne fresca mostram alta, de acordo com levantamentos de varejo.
Em outra linha, o discurso repetiu acusações contra Ilhan Omar e imigrantes, incluindo referência a políticas associadas a refugiados. O público respondeu com gritos de apoio a mensagens xenóficas, com a expressão Send her back sendo retomada em momento do evento. Omar, imigrante refugiada que chegou aos EUA na infância, é alvo antigo de tais afirmações sem fundamentação.
Ao longo da fala, Trump reiterou críticas a imigrantes e afirmou valores sobre disponibilidade de empregos e política externa. Checagens independentes destacam que a ideia de que 100% dos novos empregos teriam ido a migrantes não procede, e que dados oficiais mostram aumento de trabalhadores estrangeiros sob administrações anteriores.
O conteúdo também abordou inflação de forma contestada, com o ex-presidente afirmando ter herdado a inflação mais alta da história, afirmação desmentida por verificações que apontam trajetória de alta moderada e ainda assim acima da meta do Fed. O discurso incluiu ainda alegações sobre operações de fiscalização de fronteira com impactos atribuídos a números não comprovados.
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