Paris, Jan 7 (Reuters) – O primeiro-ministro Sebastien Lecornu tenta novamente aprovar o orçamento de 2026 sem romper sua promessa de não empurrar a proposta pelo parlamento. Parlamentares dizem que ele pode não ter escolha, correndo o risco de novo voto de censura.
Medidas de emergência foram aprovadas antes do recesso para manter o funcionamento do Estado. Ao retomar as sessões, os deputados ainda estão muito distantes de chegar a um acordo para votar o texto.
Lecornu, a partir de reuniões com o ministro da Fazenda, Roland Lescure, e o ministro do Orçamento, Amélie de Montchalin, busca convergência com deputados socialistas e conservadores. O objetivo é entregar o orçamento até o fim de janeiro.
Cenário político
Se as diferenças persistirem, a única opção seria invocar o artigo 49.3 da Constituição, o que feriria o compromisso de não forçar o orçamento sem votação. Tal medida poderia levar a um voto de censura contra o governo de minoria, a menos que os socialistas abstivessem.
Frente a esse quadro, investidores e agências de rating acompanham de perto as contas públicas, com a França buscando déficit abaixo de 3% do PIB até 2029. O governo projeta reduzir o déficit de 5,4% para 5,0% do PIB, mantendo o teto anterior sob pressão na Câmara Alta.
Os socialistas criticam as ações dos conservadores, especialmente a supressão de tributos sobre grandes empresas. Eles defendem restabelecer essas altas e suspender congelamento de transferências sociais.
Para os socialistas, o cálculo é delicado: obter concessões suficientes para abstinção no voto de censura, sem parecer irresponsável aos eleitores antes das eleições municipais de março. O líder conservador Bruno Retailleau afirma que não há versão do orçamento capaz de passar pela votação.
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