O ministro dos Transportes da Espanha defendeu, nesta quinta-feira, o histórico de investimentos em ferrovias, afirmando ter aumentado os gastos após anos de subinvestimento. Ele respondeu a perguntas de senadores sobre uma sequência de acidentes recentes, incluindo uma colisão de alta velocidade que resultou em dezenas de mortos.
O porta-voz explicou que o gasto com manutenção por quilômetro percorreu um aumento de 66% desde 2017, alcançando ou superando a média europeia. Em comparação, a França investe ligeiramente mais e a Itália, menos, segundo dados apresentados pelo ministro Oscar Puente.
Segundo Puente, a Comissão Europeia e especialistas do setor questionam se o investimento em manutenção acompanhou a expansão da rede e o crescimento do número de passageiros. Ele rebateu as críticas, afirmando que o país investiu cerca de 30 bilhões de euros a menos entre 2010 e 2018 do que manter níveis pré-crise.
O governo aponta que o investimento anual em ferrovias saltou para cerca de 5 bilhões de euros em 2025, frente a aproximadamente 1,7 bilhão em 2017. O ministro também relembrou que o Partido Socialista está no governo desde 2018 e a transição ocorreu após o período de cortes de gasto sob o governo anterior.
Acidente recente e contexto
Em 18 de janeiro, um acidente de trem de alta velocidade, no sul da Espanha, deixou 45 mortos. Dois dias depois, um descarrilamento na Catalunha matou o motorista de um trem, acentuando o escrutínio público sobre segurança, manutenção e investimentos em infraestrutura.
Há questionamentos sobre se a rede de ferrovias está sendo mantida com a devida regularidade diante do aumento do tráfego e da expansão. Fontes oficiais destacam que os investimentos totais cresceram nos últimos anos, mas permanecem sob avaliação de especialistas europeus.
As autoridades reiteram que a segurança permanece como prioridade e que novas medidas de manutenção e fiscalização estão em curso para evitar incidentes semelhantes. A disputa política ocorre em meio a pressões por auditorias e balanços mais rigorosos sobre gastos.
Fonte: informações da Reuters, com apuração de Jesús Calero e edição de David Latona.
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