A crise da representatividade global ganhou destaque a partir de 2018, quando a França introduziu um imposto de carbono para equilibrar as contas públicas. O movimento dos Coletes Amarelos surgiu, ocupou vias públicas e parou cidades, chegando a Paris. A mobilização ganhou força, mas acabou por incorporar ações violentas que mancharam o pleito popular.
Nos EUA, a insatisfação contribuiu para a onda populista que culminou no ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Partidários de Donald Trump confrontaram autoridades, deixaram mortos e feridos, e expuseram fragilidades da democracia diante de um poder que contestava resultados eleitorais.
Foi observado também um padrão global de protestos: na Tunângua em 2014, estudantes criaram o Movimento das Janelas ao ocupar o parlamento contra um acordo de livre comércio e a corrupção. No Reino Unido, o Brexit de 2016 expressou descontentamento com a transparência da União Europeia.
Panorama da representatividade
Em 2019, a Islândia mostrou uma alternativa ao modelo tradicional ao excluir políticos da candidatura para a Assembleia Constituinte, após a crise de 2008. O objetivo era abrir espaço para cidadãos comuns, com maior participação social na escrita de regras.
A partir dessas experiências, surgem questionamentos sobre o papel das eleições como mecanismo de mudança. A crítica aponta que o sistema tende a favorecer elites, independentemente de lados ideológicos, e que a desigualdade de poder persiste.
A comparação entre países revela padrões de exclusão de perfis menos representativos, como mulheres ou pessoas de classes menos favorecidas. Em alguns casos, mensagens de inclusão inspiram reformas, porém o retrato permanece desproporcional.
Implicações para a democracia
Especialistas destacam dois gargalos nas democracias representativas: a auto-seleção de candidatos e a escolha dos eleitores. A combinação produz elites políticas relativamente homogêneas, com variações entre países, mas sem refletir plenamente a sociedade.
Estudos sobre Suécia mostram que, mesmo com maior diversidade entre parlamentares, a presença de pessoas sem diploma não impede desempenho. Ainda assim, mudanças institucionais, como cotas, foram usadas para ampliar a representatividade.
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