A defesa de Carla Zambelli aposta que a demora da Corte italiana em decidir sobre o pedido de extradição feito pelo STF pode sinalizar uma vitória para a ex-deputada. A avaliação foi apurada pela Gazeta do Povo.
Segundo a leitura dos advogados, os magistrados italianos demandam mais tempo para apresentar uma sentença de soltura que seja convincente ao público local. Mesmo nesse cenário, o grupo jurídico prevê grande repercussão na imprensa caso haja decisão favorável.
Uma eventual negativa, segundo os defensores, poderia se basear nas condições do sistema prisional brasileiro. O raciocínio é de que não haveria necessidade de examinar a suspeição do ministro Alexandre de Moraes ou a alegação de atuação simultânea como juiz e vítima.
Efeito dominó e impactos potenciais
Caso o tribunal decida pela negativa, a defesa afirma que haveria um efeito dominó em processos tramitando ou já concluídos no Brasil e em instâncias internacionais. A tese seria que Moraes atuaria como juiz e vítima, o que influenciaria investigações sobre fake news e ações relacionadas a suposto golpe de Estado.
Há ainda previsão de impacto político: a defesa sustenta que, em caso de vitória de um eventual governo de direita no Brasil, a decisão europeia poderia servir para deslegitimar ações do STF.
Cenários de avaliação e reciprocidade
A defesa aponta três entraves a uma eventual extradição favorável a Zambelli. O primeiro envolve o caso do jogador Robinho, condenado na Itália a nove anos por estupro coletivo, que não foi extraditado; a reciprocidade entre Brasil e Itália ficaria em foco.
O segundo ponto é a questão de Moraes ser visto como juiz e vítima, que precisaria ser enfrentado numa eventual decisão de extradição. Zambelli foi condenada pela suposta compra de hackers para invadir o CNJ e inserir mandado contra si própria.
O terceiro obstáculo citado pela defesa é a jurisprudência italiana, que, segundo eles, há 15 anos tende a não autorizar extradições em casos análogos.
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