Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Feminicídio ocorrido em shopping é alvo de apuração policial

Feminicídio em shopping expõe falha da proteção; vítima tinha medida protetiva após o fim do relacionamento com o agressor

Cibelle foi morta pelo ex-companheiro, que não aceitou o término do relacionamento. Ela tinha medida protetiva. Créditos: Reprodução
0:00
Carregando...
0:00

O caso de Cibelle Monteiro Alves, 22 anos, ocorreu no Golden Square Shopping, em São Bernardo do Campo (SP). A funcionária da Vivara foi morta pelo ex-companheiro no dia 25 de fevereiro, dentro da joalheria, após perseguição entre balcões. O ataque terminou com a morte da vítima no local.

O agressor, Cássio Henrique da Silva Zampieri, 25 anos, inicialmente se recusou a se entregar à polícia. Vídeos mostram tentativa de negociação, com ele exibindo uma arma que mais tarde foi constatada como réplica. Ele foi socorrido após o ferimento de Cibelle.

A Secretaria de Segurança Pública informou que, após alta médica, o homem foi encaminhado ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, recebendo ordem de prisão preventiva. A investigação fica a cargo da equipe de homicídios da DEIC local, que acompanha o caso.

A medida protetiva que não protegeu

As investigações indicam que o crime foi consequência de uma escalada de violência após a separação, ocorrida em abril do ano anterior. O casal manteve relacionamento de mais de cinco anos; a relação terminou há nove meses.

Após o término, o agressor passou a ameaçar e perseguir Cibelle. As intimidações seguiram por mensagens e transferências via Pix com mensagens de coercitividade. Em uma conversa, Cibelle pediu fim do contato, recebendo como resposta uma imposição de continuidade.

A jovem obteve medida protetiva de urgência nos termos da Lei Maria da Penha. Apesar disso, as autoridades não impediram o desfecho trágico.

Contexto nacional

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que, em 2025, 148 mulheres foram mortas sob proteção judicial, representando 13,1% dos feminicídios registrados no ano. Segundo a instituição, o sistema é robusto, mas falha na execução das medidas.

Samira Bueno, diretora executiva do Fórum, afirma que o desafio está na efetiva aplicação e fiscalização, não apenas na legislação. A Lei Maria da Penha completa duas décadas neste ano.

Um retrato do fenômeno

O estudo Retrato dos Feminicídios no Brasil indica que 2025 registrou 1.568 feminicídios, alta de 4,7% ante 2024 e 14,5% nos últimos cinco anos. A taxa nacional foi de 1,43 por 100 mil mulheres.

Além disso, 62,6% das vítimas são negras; 59,4% dos casos envolvem parceiros íntimos. Em 66,3% das mortes o crime ocorre em casa. O uso de armas brancas é predominante em 48,7% dos casos.

Em que pese a proteção

No caso de Cibelle, a violência ultrapassou as portas do shopping, atingindo a vítima na área de trabalho. A medida protetiva existia, e a ameaça era conhecida, mas não impediu o ataque.

A configuração de políticas públicas não depende apenas de proteção tecnológica. A pesquisadora aponta necessidade de rede de atendimento territorial, delegacias especializadas e monitoramento efetivo de medidas protetivas.

Panorama da aplicação

O monitoramento eletrônico de medidas protetivas funciona na capital desde 2023, com expansão para a Baixada Santista e Sorocaba. Dados indicam 207 homens monitorados e 120 prisões por descumprimento desde a implementação.

Segundo especialistas, a dependência de soluções tecnológicas não basta. A proteção eficaz requer estrutura institucional, recursos humanos e atuação integrada entre segurança, Judiciário e serviços sociais.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais