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Por que alguns partidos recebem mais dinheiro de campanha que outros

O voto define os repasses públicos: bancadas maiores recebem mais e a cláusula de desempenho exclui partidos com menor apoio

Fundo Partidário: voto para deputado define recursos que cada partido recebe
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O dinheiro que sustenta os partidos no Brasil não é distribuído de forma igual. A lógica é simples: quanto melhor o desempenho eleitoral, mais recursos a sigla recebe. O sistema usa fundos públicos vinculados ao desempenho nas urnas.

O financiamento depende de dois fundos: Partidário e Eleitoral. Para acessar esses recursos, é preciso alcançar votos e parlamentares suficientes. Quem não atinge o desempenho mínimo perde o acesso e o tempo de propaganda.

O Fundo Eleitoral, utilizado apenas para campanhas, divide-se conforme tamanho de bancada e votação anterior. Em 2025, o montante aprovado foi de cerca de R$ 5 bilhões, distribuído pelo governo federal.

O Fundo Partidário mantém estruturas das legendas. Órgãos recebem 95% conforme desempenho na Câmara e 5% igualmente entre partidos registrados no TSE. O dinheiro serve para pessoal, sede e contas rotineiras.

Em 2025, o repasse total do Fundo Partidário atingiu recorde de R$ 1,1 bilhão, beneficiando 19 partidos. As maiores liberações ficaram com as siglas com maior bancada, como PL e PT.

A cláusula de desempenho estabelece, para 2026, um mínimo de 3% dos votos válidos ou 15 deputados federais para ter acesso aos recursos. Em 2024, dez partidos ficaram de fora desse mecanismo.

Essa regra alimenta estratégias de fusões e federações, que hoje somam cinco agrupamentos. Analistas apontam que o modelo tende a concentrar recursos em legendas maiores, já com gente eleita.

Segundo o especialista Bruno Lorencini, o dinheiro maior facilita maior capilaridade de campanhas e investimentos em candidatos. Ele também vê a cláusula como forma de evitar a proliferação de partidos sem representatividade.

A ideia central, segundo o entendimento técnico, é equilibrar representação de minorias com a necessidade de evitar a criação de partidos apenas para acesso financeiro.

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