Donald Trump afirmou, em rede social, que 98,2% das drogas traficadas por mar teriam parado nos EUA durante sua gestão. A mensagem foi citada pela Casa Branca como base em dados da CBP, a alfândega americana.
Segundo avaliação de especialistas, os números usados não comprovam redução do fluxo de drogas. As estatísticas analisadas referem-se a apreensões em águas costeiras em dois meses específicos, não ao volume total traficado.
O que mostram os dados
Em julho de 2025, a CBP apreendeu 223.923 libras de drogas em águas abertas ou próximas à costa. Em novembro de 2025, esse total caiu para 4.463 libras, uma queda de 98,2%. As informações são apenas sobre interdição, não sobre o volume de tráfico.
Desempenho de apreensões varia por rota, estratégia de fiscalização e oferta/demanda. Especialistas destacam que mudanças nas operações não equivalem a variação real no fluxo de drogas.
Limites da leitura dos números
A CBP aponta que as apreensões refletem atuação de fiscalização, não o total traficado. Não há linha de base para comparar o que conseguiu entrar sem ser interceptado. Analistas ressaltam a dificuldade de medir o tráfico não descoberto.
Cientistas do setor, como professores de saúde pública, afirmam que é impossível conhecer com precisão o volume total de tráfico. Assim, não é adequado concluir queda geral a partir de apreensões isoladas.
Contexto operacional
A administração tem realizado ações que impactam operações no mar desde setembro, com ataques a embarcações ligadas a tráfico na região. O efeito dessas ações sobre o tráfico global ainda é objeto de debate entre pesquisadores.
Dados mais recentes mostram variação nas apreensões até março de 2026, quando foram registradas 28.500 libras apreendidas. Mesmo assim, isso não determina o que acontece com o tráfico no conjunto.
Fonte: apuração de veículos de imprensa a partir de dados oficiais da CBP e de especialistas independentes.
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