O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), conhecido por manter posições bolsonaristas, passou a fazer críticas abertas ao campo político ao qual pertenceu. Em entrevista divulgada pela BBC News Brasil, ele aponta Jair Bolsonaro como fiador político de gestões passadas no Rio de Janeiro e atribui à família Bolsonaro responsabilidade pela crise estadual.
Segundo o parlamentar, a atual instabilidade é resultado de uma aliança entre o governo fluminense e organizações criminosas, que, na avaliação dele, se infiltraram na estrutura do poder. Otoni de Paula diz que houve desvio de recursos para campanhas e aponta o ex-governador Cláudio Castro como principal cabeça de uma suposta quadrilha.
Controvérsias e acusações
Otoni afirma que o Rio já funciona como narcoestado, com policiamento e delegacias sob influência de facções criminosas. Ele cita casos de secretários presos e menciona conluios entre autoridades e criminosos para sustentar o poder. O deputado diz ter denunciado abusos durante operações policiais e critica a condução de políticas de segurança.
A reportagem também aborda a relação com Eduardo Paes, a quem o parlamentar declara apoio para governar o Rio, ainda que reconheça críticas à gestão dele. A aliança ocorre em meio a críticas ao atual cenário político e a posições em rota de confronto com o governo federal.
Sobre o cenário nacional e a atuação legislativa
Entre os temas discutidos estão a relação entre direita e esquerda, o papel da oposição e a posição de.Otoni em eleições nacionais. O deputado comenta apoio a Ronaldo Caiado para a Presidência e reage a propostas de anistia para condenados por golpes, defendendo uma linha de pacificação que, segundo ele, não passa pela ampliaçao de tolerância a ilegalidades.
Otoni de Paula também comenta a atuação de Flávio Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmando que há participação de membros da família em decisões ligadas a cargos na segurança pública. Procuradas, assessorias não responderam aos contatos.
Propostas e debates em pauta
O jornalista pergunta sobre o projeto de criminalização da misoginia, tema que o deputado analisa com cautela. Ele reconhece a importância de proteger as mulheres, mas defende cautela para evitar interpretações que possam restringir a liberdade religiosa. Sobre o papel das igrejas, ele defende o uso da Bíblia para promover a igualdade de gênero e combater a violência contra a mulher, sem reduzir a fé a uma agenda política.
A entrevista também aborda o papel da intervenção federal no Rio, a gestão econômica do governo federal de Lula e a visão de futuro para o estado. Otoni de Paula afirma que não pretende abandonar a direita, mas busca uma saída que, na prática, priorize governabilidade e combate à corrupção.
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