O PT aprovou adiamento de temas polêmicos do seu 8º Congresso para após as eleições, em razão de divergências internas e do temor do Planalto de prejudicar a campanha de Lula. A decisão ocorreu a pedido do governo, que busca não expor aberturas internas durante a corrida presidencial.
Apesar da fração que defende maior alinhamento com a direita, o grupo ligado a Lula sustenta ter maioria para recomendar alianças estratégicas com partidos de centro-direita, com o objetivo de enfrentar o bolsonarismo nas eleições de outubro. O texto deve ser discutido neste fim de semana em Brasília.
O congresso, aberto nesta sexta-feira (24) e com participação de dirigentes, governadores, parlamentares e ministros, ocorre em meio a tensão política. Pesquisas indicam avanço de Flávio Bolsonaro, além de pressões envolvendo casos como o Master e a crise no STF, que também pesam no debate.
Panorama das diretrizes em discussão
Na primeira versão, a plataforma não cita fraudes no INSS, foco da campanha para associar tais problemas ao governo de Bolsonaro e sustentar que teriam sido encerrados sob Lula. O tema Master entra no texto, defendendo reformas no sistema financeiro para ampliar regulação e transparência.
Outra linha em avaliação trata de mudanças estruturais no programa, incluindo metas de inflação, papel do Banco Central e controle de gastos com emendas. Debates sobre o modelo econômico, distribuição de renda e atuação do Estado aparecem entre as divergências que serão discutidas em etapa futura.
Pontos propostos pelo PT para o programa de governo
- Criar o Ministério Extraordinário da Segurança Pública
- Manter juros abaixo de 10% para estimular investimentos e justiça social
- Revisar regime de metas de inflação para compatibilizá-lo com crescimento e emprego
- Reduzir e tornar mais transparentes as emendas parlamentares
- Reformar o papel das Forças Armadas para defesa nacional, com observância de recomendações de verdade
- Tributação de apostas e regulação associada com impostos específicos
- Reformar o sistema financeiro para ampliar regulação e evitar riscos, incluindo lições do caso Master
- Reformar o Poder Judiciário para reforçar o Estado de Direito
- Revogar leis que ampliaram a terceirização e a pejotização, fortalecendo a Justiça do Trabalho
O PT afirma que, se Lula vencer, haverá mais autonomia para discutir o papel do partido no governo. Caso haja derrota, os dirigentes indicam possível recrudescimento de cobrança interna sobre possíveis culpados.
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