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PT pede ao STF investigação sobre interferência estrangeira na eleição

Partido cita anúncios pagos pró-Flávio Bolsonaro e suspeitas de financiamento externo; Missão também acionou o TSE

Fachada do Supremo Tribunal Federal (Foto: Gustavo Moreno/STF)

O PT pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação sobre uma possível interferência estrangeira nas eleições presidenciais de 2026. O pedido foi apresentado ao ministro Flávio Dino, relator da ADPF 1.178, e cita episódios que, segundo o partido, podem ter beneficiado a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

Na manifestação, protocolada na quarta-feira (23), o PT solicita que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para apurar a origem de eventuais recursos, serviços e ações digitais vindos do exterior. Também pede que Dino amplie uma liminar já concedida na ADPF para deixar explícito que a proteção contra imposições estrangeiras se aplica a possíveis interferências no processo eleitoral.

Entre os episódios citados estão suspeitas envolvendo a Rockbridge Network, organização norte-americana ligada ao campo conservador, e contatos com empresários brasileiros, como Tallis Gomes, Pedro Sang e André Marinho. O partido quer que sejam obtidos documentos e registros de reuniões para esclarecer se houve apoio financeiro ou prestação de serviços em benefício da campanha de Flávio.

O pedido também cita conteúdos do Brasil Paralelo e do Estúdio Quinto Elemento disponibilizados na Academia da Direita, plataforma ligada ao PL e ao Instituto Álvaro Valle, fundação partidária da legenda. Segundo o PT, parte desse material estaria disponível sem registro correspondente de contratação ou pagamento nas prestações de contas analisadas. A legenda pede a análise de contratos e registros financeiros para identificar quem custeou a produção e a disponibilização dos conteúdos.

Anúncios pagos no X entram na mira

Outra frente do pedido envolve publicações feitas por ao menos 11 perfis estrangeiros no X entre 18 e 21 de setembro. Segundo o PT, as postagens destacavam o desempenho de Flávio Bolsonaro no mercado de previsões Polymarket e apareciam como conteúdo pago, mas sem identificação de quem financiou a divulgação.

O partido quer saber quem contratou e pagou pelas publicações, quanto foi gasto e qual foi o alcance entre usuários brasileiros. Também solicita a preservação das informações relacionadas aos anúncios e, caso sejam encontrados indícios suficientes, a adoção de medidas como quebras de sigilo e buscas e apreensões.

A legislação eleitoral proíbe que partidos e candidatos recebam, direta ou indiretamente, recursos ou doações provenientes de entidades ou governos estrangeiros, inclusive por meio de publicidade. A investigação solicitada pelo PT busca esclarecer se os episódios relatados se enquadram nessa proibição e se houve relação com a campanha de Flávio Bolsonaro.

Missão também aciona o TSE

Em uma ação separada, o Missão, partido do candidato à presidência Renan Santos, também recorreu à Justiça Eleitoral por publicações pagas de perfis estrangeiros favoráveis a Flávio Bolsonaro. A representação foi apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quarta-feira (23) e distribuída ao ministro André Mendonça.

A ação questiona postagens feitas pelos perfis Visegrad24, Matt Gaetz, Geiger Capital, Eric Daugherty e UHN Plus, identificadas como “parcerias pagas”. Segundo o partido, os conteúdos foram direcionados ao público brasileiro e associaram Flávio às projeções da Polymarket para a eleição presidencial.

Renan afirma que o episódio pode configurar interferência estrangeira e uso de recursos externos para promover uma candidatura. “Perfis norte-americanos ligados ao Trump, perfis enormes ligados à direita, estão impulsionando conteúdo pago para eleitores brasileiros”, disse.

O Missão pede a retirada imediata das cinco publicações e que o X bloqueie, no Brasil, anúncios da Polymarket relacionados às eleições brasileiras.

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