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Conselho do MPF decide hoje se abre investigação sobre Gonet

Colegiado avalia atuação do procurador-geral nas apurações sobre o Banco Master após mensagens de Vorcaro citarem seu nome

Procurador-geral da República, Paulo Gonet (Foto: Gustavo Moreno/STF)

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) se reúne nesta sexta-feira (25) para analisar o procedimento interno aberto após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ser citado em mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão extraordinária está marcada para as 10h e será transmitida ao vivo.

O caso chegou ao colegiado após a divulgação de um relatório da PF produzido a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro no âmbito das investigações sobre o Banco Master. O relator do procedimento no Conselho é o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino.

Entre os pontos em discussão está a atuação de Gonet nas investigações relacionadas ao banco e a existência ou não de elementos que possam justificar seu afastamento dos casos.

Gonet já apresentou manifestação ao Conselho e negou qualquer relação de amizade ou proximidade com Vorcaro. Também afirmou que não há motivos para que seja considerado suspeito ou impedido de atuar nas apurações.

Como será a sessão

Gonet, que preside o Conselho Superior do MPF, não participará da deliberação sobre o próprio caso. A sessão será conduzida pelo vice-presidente do colegiado, o subprocurador-geral Nicolao Dino.

Após a apresentação do relatório por Francisco de Assis Vieira Sanseverino, poderão ocorrer sustentações orais. Em seguida, o relator apresenta seu voto e os demais conselheiros se manifestam. Também há a possibilidade de pedido de vista, o que pode interromper a análise e adiar uma decisão definitiva.

Entre os possíveis desfechos estão o arquivamento do procedimento ou a designação de um subprocurador-geral da República para aprofundar a apuração sobre eventual prática de crime atribuída ao chefe da PGR.

O que motivou o procedimento

Em um dos registros encontrados pela PF, Vorcaro escreveu, em 30 de outubro de 2025, que seria “importante reforçar com Andrei e Paulo” para impedir que alguém “de baixo” fizesse uma “sacanagem”. Segundo o relatório, os nomes podem se referir ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e a Paulo Gonet. Segundos depois, o banqueiro enviou uma imagem da anotação a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

A PF também identificou conversas entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares. Em março de 2025, Ciro enviou ao banqueiro uma fotografia ao lado de Gonet e escreveu: “Ele quer falar com você”. O relatório registra, na sequência, quatro chamadas entre Ciro e Vorcaro.

Dias depois, o advogado encaminhou ao banqueiro mensagens que atribuiu ao procurador-geral, entre elas frases como “Que bom! Estou na torcida por vocês!”, “Já estou com saudade de você” e “Você é uma máquina”.

Gonet nega proximidade

“Não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”, escreveu o procurador-geral em manifestação apresentada ao Conselho.

Em sua defesa, Gonet afirmou que encontrou Vorcaro pessoalmente uma única vez, durante um evento jurídico em Londres, em abril de 2024, e que depois disso houve apenas uma breve conversa telefônica intermediada por Ciro Soares, em março de 2025.

O procurador-geral sustentou ainda que nunca teve Vorcaro em sua lista de contatos e afirmou que as próprias tentativas do banqueiro de chegar até ele por meio de terceiros indicariam a inexistência de uma relação direta entre os dois.

+ Gonet diz ao STF que só encontrou Vorcaro uma vez: “Brevíssimo e banal”

Gonet também negou que as mensagens “já estou com saudade de você” e “você é uma máquina” fossem destinadas a Vorcaro. Segundo ele, as frases eram dirigidas ao advogado Ciro Soares.

O procurador-geral rejeitou ainda qualquer interferência nas investigações do Banco Master e afirmou que não há elementos que sustentem uma situação de suspeição ou impedimento.

“Não há base para especular com hipótese de suspeição ou impedimento indutora ao meu afastamento da atuação finalística nas investigações envolvendo o Banco Master”, escreveu.

“Não há base para suspeição”, diz Gonet sobre sessão do Conselho do MPF

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