No primeiro turno das eleições para presidente, realizado no domingo (4), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) receberam juntos 9,05 milhões de votos — mais de quatro vezes a diferença de 2,22 milhões de votos entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que avançaram para o segundo turno.
Com a disputa agora definida entre Lula e Flávio, os eleitores dos candidatos derrotados passam a ser alvo dos dois concorrentes, que buscam ampliar suas votações para vencer a eleição.
Após o resultado das urnas, Cury, Renan e Caiado não declararam apoio a nenhum dos dois candidatos. Zema, por sua vez, afirmou que estará contra o PT na segunda etapa da eleição.
Cury diz que vai manter silêncio
Terceiro colocado na disputa, Augusto Cury (Avante) recebeu 3,44 milhões de votos, ou 2,89% dos votos válidos. Após o resultado, afirmou que não pretende declarar apoio a nenhum dos candidatos que avançaram para o segundo turno.
“Eu me silencio completamente em relação àqueles que estarão no segundo turno”, disse Cury.
O candidato também afirmou que ninguém está autorizado a falar em seu nome para declarar apoio a Lula ou Flávio.
Em carta divulgada após a apuração, Cury cumprimentou os dois candidatos e disse que suas propostas de governo estão disponíveis para serem aproveitadas pelo vencedor. Ele também declarou que deve abandonar a vida político-partidária.
“Hoje eu tenho claro dentro de mim 100% de convicção que eu não vou continuar na política. Amanhã ninguém sabe, mas eu costumo não mudar de opinião quando eu tenho uma convicção muito grande, até porque nós temos vários projetos”, disse aos jornalistas.
Renan libera eleitores
Renan Santos (Missão), quarto colocado, teve 2,67 milhões de votos, equivalentes a 2,24% dos votos válidos.
Após a apuração, o candidato afirmou que não apoiará nenhum dos dois concorrentes e deixou seus eleitores livres para decidir o voto.
“O Flávio Bolsonaro já ganhou. E antes de alguém perguntar em quem eu vou apoiar no segundo turno. Faz diferença? Façam o que quiserem. Eu já avisei que eu não voto em bandido. Não recomendo a ninguém que vote em bandido. Flávio é bandido. Lula é bandido. Mas não faz diferença alguma, façam o que vocês quiserem aí”, declarou Renan.
Caiado aguarda definição do partido
Quinto colocado, Ronaldo Caiado (PSD) recebeu 2,60 milhões de votos, ou 2,18% dos votos válidos.
Após a apuração, Caiado afirmou que conversaria com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, antes de definir sua posição.
“Eu, neste momento, vocês sabem, vou guardar a minha coerência, mas jamais vou me pronunciar sem antes também estar reunido com o presidente do meu partido, Kassab”, afirmou.
O PSD decidiu não apoiar nacionalmente nenhum dos dois candidatos. Kassab liberou diretórios estaduais, parlamentares, lideranças, filiados e militantes para escolherem entre Lula e Flávio.
Zema declara oposição ao PT
Romeu Zema (Novo) terminou o primeiro turno em sexto lugar, com cerca de 326 mil votos, ou 0,27% dos votos válidos.
Na noite de domingo (4), depois da definição do segundo turno, Zema afirmou que ele, seu vice, Eduardo Girão, e o Novo estarão contra o PT na nova etapa da eleição.
“Onde tiver PT, eu Girão e o Novo estaremos do outro lado”, declarou.
Zema não citou nominalmente Flávio Bolsonaro nessa manifestação, mas já havia declarado, em setembro, que apoiaria o senador do PL em uma eventual disputa contra Lula.
Segundo turno: veja o que muda para o eleitor a partir de hoje
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