Um grupo de ex-ministros, intelectuais e acadêmicos divulgou neste sábado (17) um manifesto de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Entre os signatários estão o ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira, que integrou o governo Michel Temer, o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, do governo Itamar Franco, a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, que ocupou o cargo durante o governo Dilma Rousseff, e o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr., que integrou o governo Fernando Henrique Cardoso.
Intitulado “Pela democracia, pela estabilidade, pelo desenvolvimento com justiça social e ambiental e pelo Brasil”, o manifesto defende que a reeleição de Lula oferece “melhores condições” para assegurar o equilíbrio institucional, os direitos fundamentais e as liberdades democráticas.
Os signatários também fazem críticas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), apontando riscos de retrocessos sociais e institucionais.
“Nós, que temos distintas origens, trajetórias e visões sobre muitos dos desafios nacionais, entendemos que, sobretudo nos momentos de maior polarização, a democracia é o nosso norte comum”, afirma um trecho do documento.
O grupo reconhece divergências com o atual governo, mas argumenta que a defesa da democracia deve prevalecer sobre diferenças políticas.
“Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las. É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha”, diz o manifesto.
O documento foi apresentado durante um encontro em São Paulo, com a participação de Alckmin e dos ex-ministros Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet.
Leia o manifesto na íntegra:
Pela democracia, pela estabilidade, pelo desenvolvimento com justiça social e ambiental e pelo Brasil.
Uma declaração de apoio à reeleição de Lula e Alckmin.
Neste segundo turno, o Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa diferenças partidárias e preferências ideológicas. Está em jogo a capacidade do país de preservar a estabilidade institucional, o equilíbrio entre os Poderes, as liberdades democráticas; de enfrentar a crise climática, cuidar de nossos biomas, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e de toda a população sacrificada pela acentuada desigualdade social. Está em risco um caminho capaz de levar ao desenvolvimento econômico com justiça social, soberania e paz.
Nós, que temos distintas origens, trajetórias e visões sobre muitos dos desafios nacionais, entendemos que, sobretudo nos momentos de maior polarização, a democracia é o nosso norte comum, e ela exige responsabilidade, respeito às instituições e compromisso inequívoco com a Constituição.
Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferece ao país melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades, manter canais de diálogo entre diferentes setores da sociedade e com espaço geopolítico global, e evitar retrocessos institucionais, preservando conquistas sociais, trabalhistas, educacionais, na saúde pública e na proteção ambiental. Ao mesmo tempo vemos, no projeto representado por Flávio Bolsonaro, ameaças a esses princípios, intenções de desarticular patamares de conquistas sociais já consolidados e riscos à interlocução internacional multilateral consagrada pelo Brasil.
O Brasil precisa crescer, gerar empregos, estimular a inovação, recuperar sua capacidade industrial, estimular a agricultura de baixo carbono, avançar na educação, criar oportunidades para seus cidadãos e corrigir erros, onde isso se fizer necessário.
Esse desenvolvimento deve estar associado à estabilidade econômica, à ciência, à tecnologia e à responsabilidade ambiental, com a preservação de nossas riquezas naturais. Florestas, água, biodiversidade e minerais estratégicos são parte da soberania brasileira e devem contribuir para o desenvolvimento do país, com uso responsável desses recursos e compromisso com as futuras gerações.
Também consideramos indispensável que o próximo governo respeite a diversidade da sociedade brasileira, proteja direitos fundamentais, sem transformar adversários políticos, instituições públicas, universidades, imprensa ou organizações da sociedade civil em inimigos.
Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las. É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha. Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns.
Assinam este documento:
Aloysio Nunes Ferreira
Beatriz Bracher
Beatriz Cardoso
Carlos Nobre
Claudia Costin
Eduardo Giannetti
Fabio Feldman
Floriano Pesaro
José Carlos Carvalho
Izabella Teixeira
José Carlos Dias
Miguel Reale Jr.
Rosiska Darcy de Oliveira
Oscar Vilhena
Rubens Ricupero
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