O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, neste domingo (18), do primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais, promovido pelo Grupo Bandeirantes. Durante o encontro, o petista abordou temas como segurança pública, economia e custo de vida, além de protagonizar uma série de trocas de acusações com o adversário, Flávio Bolsonaro (PL).
Confira os principais temas abordados pelo presidente no debate:
Segurança pública
Lula criticou a atuação dos estados no comando da segurança pública e defendeu uma maior participação do governo federal na área.
“Os estados fracassaram. Nenhum estado conseguiu resolver o problema da segurança pública”, afirmou.
Lula também destacou a aprovação da Lei Antifacção e afirmou que o governo está combatendo o crime organizado “da esquina ao andar de cima”.
O petista voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública, em tramitação no Congresso, e prometeu criar o Ministério da Segurança Pública para ampliar a atuação conjunta da União, dos estados e dos municípios no enfrentamento ao crime.
Economia e indústria
Ao abordar a economia, Lula defendeu políticas de distribuição de renda. “Precisamos fazer o dinheiro circular nas mãos das pessoas. Muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza e miséria”, declarou.
O presidente também apontou a ampliação dos investimentos e da inovação na indústria brasileira como medidas para impulsionar o crescimento econômico e a geração de empregos.
Lula destacou o potencial de setores como economia digital, economia criativa e economia verde, além de defender investimentos em data centers e novas tecnologias.
“Depois de muitos anos, a economia brasileira voltou a crescer. É um começo extraordinário”, afirmou.
O petista também ressaltou a importância da formação de profissionais nas áreas de engenharia, informática e tecnologia para atender às demandas da indústria.
“O mais importante é a formação de profissionais em engenharia, informática e na nova indústria digital, para o país dar um salto e se tornar um país altamente desenvolvido”, declarou.
Custo de vida e salário mínimo
Lula reconheceu que o custo de vida está elevado no país, mas afirmou que a situação era pior durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O petista também comparou o poder de compra do salário mínimo entre as duas gestões.
“Tenho consciência de que o custo de vida está caro, mas estava mais caro no governo do pai dele”, afirmou.
O presidente também defendeu a política de valorização do salário mínimo acima da inflação e afirmou que os aposentados devem ser beneficiados pelo crescimento econômico do país.
“Vou continuar aumentando o salário mínimo e vou brigar para reduzir a inflação”, declarou.
Lula ainda atribuiu parte da alta dos preços aos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia e afirmou que seu governo adotou subsídios para conter o aumento dos combustíveis no Brasil.
Saída temporária de presos
Ao ser questionado por Flávio Bolsonaro, Lula defendeu a saída temporária de presos que apresentam bom comportamento e estão em processo de ressocialização.
“Se a pessoa tiver tido comportamento decente, estiver se recuperando, é justo que saia para ver sua família. O sistema prisional é feito na perspectiva de recuperar as pessoas, e eu acho que elas precisam ser recuperadas mesmo”, afirmou.
O presidente, no entanto, defendeu restrições ao benefício para condenados por crimes graves.
“Aquele que cometeu crime hediondo não sai, que cometeu estupro não sai, que cometeu crime contra a mulher não sai”, declarou.
Educação e políticas sociais
Em suas considerações finais, Lula destacou políticas de inclusão social adotadas durante seus governos, como a ampliação do acesso ao ensino superior, a demarcação de terras indígenas e o reconhecimento de direitos de comunidades quilombolas.
“O modelo que fez a maior inclusão da história do país, a maior demarcação de terras indígenas, que devolveu aos quilombos cidadania e respeito, que colocou pobre para fazer universidade, que colocou negro para fazer universidade, que criou o Pé-de-Meia para as crianças não saírem da escola”, afirmou.
O presidente também voltou a defender incentivos à formação de professores, citando a proposta de um Pé-de-Meia voltado a estudantes com bom desempenho no Enem que desejam ingressar na carreira docente.
“E agora vamos criar o Pé-de-Meia Professor para que os melhores alunos do Enem possam ser professores. Esse modelo ele poderia copiar, mas ele não gosta de educação”, concluiu.
Confronto direto
O confronto direto entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi marcado por uma intensa troca de acusações, com poucos momentos dedicados à apresentação de propostas.
Ao longo do embate, Lula cobrou explicações do adversário sobre suspeitas envolvendo o Banco Master, sua atuação em questões de segurança pública e suas posições sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Flávio, por sua vez, concentrou parte das críticas nas investigações sobre fraudes no INSS e na relação do filho do presidente com uma das investigadas.
Fraudes no INSS
Ao ser questionado sobre a relação de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de envolvimento em um esquema de tráfico de influência e corrupção, Lula afirmou que o caso deve ser apurado pela corporação.
“A Roberta é uma questão da Polícia Federal”, declarou.
O presidente também afirmou que eventuais irregularidades envolvendo seu filho serão investigadas. “Se tiver problema, será investigado, seja meu filho, seja qualquer um”, disse, acrescentando que Lulinha prestará depoimento e não tentará se esconder.
Durante o embate, Lula também questionou Flávio Bolsonaro sobre uma suposta ligação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado no esquema de fraudes contra aposentados.
“Por que você mantém escritório com o Careca?”, questionou o petista.
Banco Master e Daniel Vorcaro
Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre negociações entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, caso investigado pela Polícia Federal.
“Você precisa explicar os R$ 134 milhões. Mentiu para a sociedade brasileira. O que você fez com esse dinheiro? É só explicar. Onde você colocou esse dinheiro?”, questionou.
O presidente também acusou o adversário de mentir sobre o caso. “Você contou 43 mentiras a respeito disso. Como alguém pode pegar R$ 134 milhões e não dizer para onde foi?”, perguntou.
Flávio respondeu que os recursos foram destinados à produção cinematográfica. “Foi para o filme. Você vai amar”, declarou.
Lula contestou a explicação e afirmou que não haveria registros do pagamento ao filme no Banco Central.
Segurança pública e identificação de munições
Lula também criticou a atuação de Flávio Bolsonaro como advogado do policial militar Bruno Dias Delaroli, envolvido na morte de Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, assassinada por tiros de fuzil quando brincava na porta de casa, em Niterói, no Rio de Janeiro.
“Esse assassino que você não deixou ser preso, que matou a criança de cinco anos, votou em você?”, questionou o presidente.
“Nem teve julgamento, você já condenou o cara”, respondeu Flávio, acrescentando que Lula não pode “criminalizar a advocacia”.
Na sequência, o petista cobrou explicações sobre a atuação de Flávio no Senado em relação a uma proposta para retirar exigências de identificação de munições utilizadas pelas forças de segurança.
“Por que você queria tirar a marca das balas para que não fossem identificadas?”, perguntou Lula. Flávio não respondeu diretamente ao questionamento.
Escala 6×1
Lula também cobrou de Flávio Bolsonaro um posicionamento sobre o fim da escala de trabalho 6×1, medida promulgada pelo Congresso Nacional nesta sexta-feira (16).
O presidente questionou se o adversário se comprometeria a não apresentar medidas para reverter o fim da jornada, diante de sua posição anterior contrária à proposta.
“Você vai ou não vai fazer uma proposta para acabar com o fim da escala 6×1?”, perguntou.
O senador afirmou que percorreu o país ouvindo os trabalhadores e que votou a favor da proposta.
Economia e modelo argentino
Em outro momento do confronto, Lula questionou a proximidade política de Flávio Bolsonaro com o presidente argentino, Javier Milei, e perguntou se ele pretendia adotar o mesmo modelo econômico.
“Já que você é amigo do Milei, você tem acompanhado como está a Argentina? Você continua dizendo que o seu modelo é o modelo do Milei?”, perguntou.
Lula também questionou quem seria afetado pelas propostas de cortes de gastos defendidas pelo adversário. “O tesouraço vai cair nas costas de quem?”, perguntou.
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