Alerta sobre colher de pau: utensílio tradicional pode acumular bactérias
A tradicional colher de pau, presente em muitas cozinhas brasileiras e associada a memórias afetivas, tem seu uso questionado por especialistas. Estudos recentes apontam riscos de contaminação devido a microfissuras que podem abrigar bactérias e biofilmes.
O microbiologista Matheus Rodrigues, da Rede D’Or, explica que as fissuras dificultam a higienização completa. “Mesmo com a limpeza correta, o acesso a essas microfissuras é impossibilitado”, afirma. A nutricionista Priscilla Primi, da USP, estende o alerta a utensílios de bambu, que também possuem ranhuras propícias à proliferação de microrganismos.
Além da contaminação biológica, a integridade física da colher de pau é um problema. Pequenas lascas podem se soltar e cair na comida, representando um risco à saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige que superfícies em contato com alimentos sejam lisas e laváveis.
Em São Paulo, a legislação municipal proíbe o uso de utensílios de madeira em cozinhas profissionais, com exceção de preparações típicas nacionais. A chef Bruna Moreira, do Mocotó, segue a regra em seu restaurante, mas mantém o uso em casa.
Moreira acredita que o “sabor especial” da comida feita com colher de pau pode estar ligado à memória afetiva e ao conforto que o material transmite. A Anvisa indica materiais como metal, celulose ou plásticos para utensílios de cozinha.
Para quem não abre mão da colher de pau, a higienização correta é fundamental. Recomenda-se lavar com água e sabão, seguido de imersão em solução de água clorada por 10 a 15 minutos e secagem completa ao sol ou em local ventilado. A substituição periódica, ao surgirem fissuras, também é crucial.
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