O Brasil enfrenta desafios na produção científica, com resultados modestos e uma baixa taxa de estudos altamente citados. No entanto, o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da Universidade de São Paulo (USP), se destaca nesse cenário. O núcleo possui cinco de seus pesquisadores entre os mais citados do Brasil, segundo dados de 2024.
O Nupens é reconhecido por inovações significativas, como o conceito de ultraprocessados, que relaciona esses produtos a problemas de saúde crônicos, como a obesidade. A fundação do núcleo ocorreu em mil novecentos e noventa, mas suas raízes remontam às pesquisas sobre desnutrição infantil da década de 1970, lideradas por Carlos Monteiro e Maria Helena Benício.
A abertura para questionamentos e a colaboração são características marcantes do Nupens. Os pesquisadores promovem um ambiente onde a hierarquia é minimizada, permitindo que todos contribuam igualmente. A vice-coordenadora, Maria Laura Louzada, destaca que a liberdade para discutir ideias é fundamental para o sucesso do grupo.
O financiamento público e independente é outro fator crucial para o desempenho do Nupens. Os pesquisadores mencionam o apoio de instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que tem sido essencial desde a década de 1970. O núcleo evita financiamentos da indústria alimentícia para garantir a integridade de suas pesquisas.
Além disso, o Nupens se destaca por responder a questões universais e por sua capacidade de inovação. O conceito de ultraprocessados foi formalizado em dois mil e nove, e desde então, diversas pesquisas confirmaram sua relação com o aumento da obesidade. O núcleo também contribuiu para o “Guia Alimentar para a População Brasileira”, publicado em dois mil e quatorze, reforçando sua influência nas políticas de saúde pública.
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