Uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que a desregulação da proteína hnRNP A1 pode ser crucial no início da esquizofrenia. O estudo, publicado na revista Journal of Neurochemistry em janeiro de 2025, destaca a importância dessa proteína na mielinização e na integridade neuronal.
Os pesquisadores descobriram que a hnRNP A1, presente nos oligodendrócitos, desempenha um papel fundamental na formação da bainha de mielina, que envolve os axônios dos neurônios. A disfunção dessa proteína pode desencadear o transtorno ainda na gestação, afetando o desenvolvimento cerebral do feto. O professor Daniel Martins-de-Souza, orientador do estudo, explicou que a esquizofrenia pode estar relacionada a falhas na mielinização, comprometendo a transmissão de impulsos nervosos.
O estudo fortalece a hipótese de que a esquizofrenia se origina durante o neurodesenvolvimento. A pesquisa também sugere que a hnRNP A1 pode já estar desregulada desde o início do desenvolvimento neural, o que a torna um alvo promissor para o desenvolvimento de novos medicamentos. Atualmente, cerca de metade dos pacientes com esquizofrenia não responde adequadamente aos tratamentos disponíveis.
Os pesquisadores utilizaram camundongos para investigar o papel da hnRNP A1 em um modelo de desmielinização, semelhante ao que ocorre em pacientes com esquizofrenia e outras doenças neurodegenerativas. Os resultados indicam que a proteína é essencial para a mielinização, e novas direções para o tratamento da esquizofrenia podem ser exploradas a partir dessas descobertas.
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