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Aumento de dependentes de jogos preocupa especialistas e sobrecarrega serviços de saúde

A explosão no número de viciados em jogos no Brasil exige atenção urgente. O Programa Ambulatorial do Jogo enfrenta uma demanda triplicada desde 2023, enquanto a regulamentação das apostas ignora questões de saúde pública. Especialistas alertam para o impacto devastador das apostas online, especialmente entre os mais vulneráveis.

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O vício em jogos no Brasil tem se intensificado desde a legalização das apostas online em 2018. O Programa Ambulatorial do Jogo (Pro-Amjo), referência no tratamento de distúrbios relacionados a jogos, registrou um aumento de 300% na demanda por tratamento desde 2023. O coordenador do programa, Hermano Tavares, expressa preocupação com o número crescente de novos pacientes.

O Pro-Amjo, que conta com cerca de sessenta profissionais, enfrenta dificuldades financeiras, já que os membros da equipe atuam em regime de voluntariado. Atualmente, o programa consegue acolher apenas dez novos pacientes por mês, limitando o atendimento devido à falta de recursos. Tavares não divulga o número de pessoas na fila de espera, mas a situação é alarmante.

Desde outubro de 2022, o programa retomou sessões coletivas, uma estratégia utilizada no passado para abordar grupos de jogadores. Essas intervenções psicoeducacionais ajudam a identificar os mais vulneráveis e priorizar seu tratamento. Apesar do aumento da demanda, a saúde pública não tem sido considerada nas discussões sobre a regulamentação das apostas. Entre março e setembro de 2024, apenas duas das 209 reuniões sobre o tema contaram com a presença de representantes do Ministério da Saúde.

Um estudo global publicado na revista Lancet revelou que 46% dos adultos e 18% dos adolescentes apostaram nos últimos doze meses. No Brasil, entre 1% e 1,3% da população apresenta problemas relacionados ao jogo. Tavares alerta que a epidemia de vícios já era previsível e se agravou durante a pandemia, quando muitos brasileiros se voltaram para as apostas online.

A publicidade agressiva das casas de apostas, que inclui patrocínios a eventos esportivos, tem contribuído para a normalização do vício. Especialistas afirmam que a acessibilidade das apostas online, facilitada pelos smartphones, torna o problema ainda mais grave. O psiquiatra Rodrigo Machado destaca que a rapidez das apostas digitais estimula comportamentos compulsivos, especialmente entre os mais jovens.

A falta de preparo dos profissionais de saúde para lidar com essa questão é uma preocupação crescente. A coordenadora da Comissão de Psiquiatria das Adicções da Associação Brasileira de Psiquiatria, Carla Bicca, ressalta que a complexidade do tratamento exige conhecimento especializado. O vício em jogos pode levar a consequências graves, incluindo ideação suicida, com taxas de tentativas de suicídio superiores a 15% entre os adictos.

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