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Monica Musenero transforma Uganda em referência em ciência e inovação africana

Monica Musenero, ex-coordenadora da resposta à covid-19 em Uganda, busca descolonizar a ciência e impulsionar a inovação africana.

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Monica Musenero, ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação de Uganda, foi fundamental na gestão da covid-19 no país. Com uma carreira marcada pelo controle de epidemias, ela já havia coordenado a resposta ao surto de ébola na África Ocidental entre 2014 e 2017. Musenero implementou medidas rigorosas para evitar a propagação do vírus em um sistema de saúde fragilizado.

Durante sua gestão, Uganda registrou 171.888 casos e 3.632 mortes entre 2020 e 2023. Musenero, que assumiu o cargo de ministra em 2021, vê a pandemia como uma oportunidade para desenvolver a chamada “economia de patógenos”. O país começou a produzir internamente máscaras e desinfetantes, além de lançar o controverso remédio anticoronavírus, Covidex, que, segundo ela, é baseado em conhecimento tradicional e teve boa aceitação no mercado.

Novo Paradigma de Desenvolvimento

Musenero defende a descolonização da ciência e busca transformar Uganda em um modelo de desenvolvimento africano. Em entrevista durante uma feira de tecnologia em Marrakech, ela destacou a importância de soluções científicas locais que melhorem a qualidade de vida e gerem empregos. A ministra acredita que a dependência de ciência e tecnologia estrangeiras perpetua a pobreza no continente.

Ela questiona a eficácia da ciência em África, afirmando que, se tivesse funcionado, a situação atual seria diferente. Musenero propõe um novo papel para Uganda, buscando estabelecer relações mais equilibradas com investidores estrangeiros e promovendo um pensamento científico autêntico.

Inovação e Educação

Musenero também comentou sobre a Universidade de Makerere, que enfrenta críticas por sua reputação. Apesar dos desafios, ela acredita que a universidade ainda é uma das melhores do continente e tem contribuído para inovações significativas, como a Kiira Motors, que lançou o primeiro ônibus elétrico africano. A ministra enfatiza que o foco deve ser na construção de um sistema educacional que beneficie a sociedade, em vez de apenas buscar prestígio acadêmico.

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