O Rio Grande do Sul enfrenta um aumento alarmante nos casos de leptospirose, que superaram 1 mil em 2024, após enchentes históricas. Historicamente, o estado registra cerca de 500 casos anuais, especialmente entre agricultores de arroz, devido à presença de roedores.
Após as enchentes, a proliferação de roedores e a contaminação da água e do solo elevaram os riscos de infecção. Alessandro Pasqualotto, presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia, destaca que a situação era esperada, pois alagamentos favorecem a disseminação da doença.
A leptospirose é uma zoonose, transmitida principalmente por roedores, e pode afetar até mesmo animais de estimação. Durante a crise, poucos casos de contaminação em pets foram registrados, o que evitou um aumento ainda maior nas infecções humanas.
Mudanças climáticas intensificam a frequência e a gravidade das enchentes, elevando o risco de surtos. Micheline Coelho, meteorologista, aponta que a cada 20 mm de chuva, as internações por leptospirose aumentam em média 15,6%. Fatores socioeconômicos também influenciam, afetando desproporcionalmente populações em áreas urbanas precárias.
Após as enchentes, o risco de leptospirose persiste, com a bactéria sobrevivendo em solo úmido e lama. O patologista Paulo Saldiva alerta que o efeito mais significativo ocorre de duas a três semanas após as inundações, mas o risco pode se estender por até seis meses.
Casos como o da atleta Luisa Giampaoli, que faleceu em julho de 2023, evidenciam a gravidade da situação. Mesmo em áreas não inundadas, a população permanece vulnerável. Moradores relatam um aumento na presença de roedores, refletindo o impacto contínuo das enchentes na saúde pública.
A combinação de mudanças climáticas e urbanização em áreas de risco agrava a situação. Especialistas ressaltam a necessidade de ações integradas para mitigar os efeitos da leptospirose e proteger a saúde da população.
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