Um estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca) investiga por que mulheres negras apresentam maior incidência e mortalidade por câncer de mama, especialmente o tipo triplo-negativo. A pesquisa, liderada pela bióloga Sheila Coelho Soares Lima, envolve duzentas voluntárias atendidas no Hospital do Câncer do Rio de Janeiro.
As mulheres negras têm um risco 57% maior de morte por câncer de mama em comparação com mulheres brancas. Para as pardas, essa probabilidade é 10% maior. O câncer triplo-negativo, que não possui receptores hormonais, é mais comum entre mulheres negras, representando 21% dos casos nessa população, enquanto é 13% entre brancas.
A pesquisa busca entender a relação entre fatores genéticos e socioeconômicos na agressividade do câncer. Sheila destaca que o acesso reduzido a tratamentos e diagnósticos tardios são questões relevantes. “Mais de 90% dos casos de câncer estão ligados a fatores ambientais”, afirma a bióloga.
Atualmente, a equipe analisa fragmentos de tumor retirados por biópsia para sequenciamento genômico. O objetivo é expandir a pesquisa para incluir mil voluntárias, garantindo representatividade da diversidade genética brasileira, que inclui também a ancestralidade indígena. Sheila espera que os resultados ajudem a identificar tumores mais cedo e a melhorar o tratamento para mulheres negras.
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