A violência no trânsito brasileiro resultou em um aumento alarmante de internações no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, cerca de 228 mil pessoas foram hospitalizadas devido a acidentes de trânsito, um crescimento de 45% em comparação a 2015. Os motociclistas são os mais afetados, representando 60% das internações.
Os dados, coletados pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede), revelam que, em média, uma pessoa é internada a cada dois minutos. O tempo médio de internação é de seis dias. O total de hospitalizações por acidentes de trânsito no SUS nos últimos dez anos soma 1,8 milhão, gerando um custo de R$ 3,8 bilhões em despesas hospitalares diretas.
Motociclistas em Foco
Os motociclistas foram os mais vulneráveis, com mais de 150 mil internações em 2024, quase o dobro dos demais modais, que incluem pedestres, ciclistas e ocupantes de veículos. Os pedestres representam 16% das internações, enquanto ciclistas e ocupantes de automóveis correspondem a 7% cada.
O Sudeste do Brasil lidera as ocorrências, com 93 mil internações em 2024, seguido pelo Nordeste, com 66 mil, e o Centro-Oeste, com 25,4 mil. O estado de São Paulo é responsável por 387.991 das internações na última década.
Impacto e Preocupações
Antonio Meira Júnior, presidente da Abramet, destaca que o trânsito no Brasil é uma “epidemia silenciosa”. A pesquisa também indica que, em 2023, o número de mortes em acidentes de trânsito superou o de homicídios por arma de fogo, com 34.810 óbitos em comparação a 30.254.
A maioria dos internados, 78%, é composta por homens, e 49% dos acidentados têm entre 20 e 39 anos. A pesquisa foi realizada em alusão ao Maio Amarelo, mês de conscientização sobre a violência no trânsito. As associações médicas pedem uma resposta urgente do Estado e da sociedade para enfrentar essa tragédia evitável.
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