Um estudo da Universidade McGill, publicado em 22 de abril no periódico PNAS Nexus, revela que cerca de 8,5 mil toneladas de antibióticos provenientes do consumo humano contaminam rios em todo o mundo. Essa poluição afeta quase 6 milhões de quilômetros de cursos d’água, expondo 33,9 milhões de brasileiros a riscos ambientais.
A pesquisa é a primeira a estimar a contaminação global de rios por antibióticos usados por humanos. Os pesquisadores analisaram dados de quase 900 áreas fluviais, excluindo fontes veterinárias e industriais. O coautor do estudo, Jim Nicell, professor de engenharia ambiental, destaca que a poluição por antibióticos é um problema crítico que pode ser agravado por outras fontes.
Dos 40 antibióticos mais consumidos, 8,5 mil toneladas (29%) são lançadas em sistemas fluviais, enquanto 3.300 toneladas (11%) vão para oceanos ou águas subterrâneas. Após o consumo, os resíduos são excretados e acumulam-se nos rios, onde podem prejudicar a vida aquática e promover resistência bacteriana.
Impacto no Brasil
No Brasil, 211 mil quilômetros de rios apresentam alto risco ambiental devido a concentrações de antibióticos. O ciprofloxacino, utilizado no tratamento de infecções, é o principal poluente detectado. Embora a extensão de rios contaminados no Brasil seja menor que em países como Índia e China, o número de pessoas expostas é alarmante.
A pesquisa indica que a exposição crônica a esses compostos, mesmo em concentrações baixas, representa um risco significativo à saúde humana e aos ecossistemas aquáticos. Heloisa Ehalt Macedo, pesquisadora de pós-doutorado, ressalta que a poluição por antibióticos é difícil de detectar, mas seus efeitos cumulativos são preocupantes.
Entre na conversa da comunidade