O presidente do Chile, Gabriel Boric, visitou uma usina de dessalinização em Tocopilla, na província de Antofagasta, em outubro de 2024. A visita ocorre em meio à grave crise hídrica que o país enfrenta, especialmente na região central, onde a população de Petorca depende de caminhões-pipa para abastecimento de água.
A região central do Chile, marcada por megassecas, tem sofrido com a escassez de água nos últimos anos. A situação se agravou desde a década de 2010, quando o consumo hídrico aumentou, principalmente devido à agricultura. A hidróloga Camila Álvarez-Garretón destacou que a combinação de variabilidade climática e mudanças climáticas tem contribuído para a crise hídrica.
Em junho de 2024, chuvas intensas trouxeram alívio temporário aos agricultores de Petorca, mas a falta de água continua a ser um problema crítico. O relatório do Centro de Pesquisas sobre Clima e Resiliência do Chile (CR2) alerta para um aumento no estresse hídrico, com a água subterrânea sendo utilizada em volumes superiores à capacidade de recarga dos aquíferos.
Soluções em Dessalinização
As usinas de dessalinização estão sendo vistas como uma solução viável para a crise. Atualmente, o Chile possui 24 usinas, das quais 17 atendem ao setor de mineração. O governo chileno anunciou planos para construir mais quatro usinas, visando atender tanto a demanda residencial quanto industrial.
O engenheiro mecânico Pedro Sariego propôs uma usina de dessalinização movida a energia solar em Valparaíso, que poderia complementar o abastecimento de água para irrigação. Apesar das vantagens, especialistas alertam para os impactos ambientais das usinas, como a salinização das águas marinhas.
A situação hídrica no Chile é crítica, e a implementação de soluções sustentáveis é essencial para garantir o abastecimento de água no futuro. O conceito de “dia zero”, que representa a falta total de água, é uma preocupação crescente, com previsões indicando que o problema pode se agravar nas próximas décadas.
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