O psiquiatra Yasser Abu Jamei, diretor do Programa Comunitário de Saúde Mental de Gaza (GCMHP), destaca a grave situação psicológica da população local, especialmente das crianças, em meio ao conflito atual. A ONG, que atua há trinta anos, enfrenta desafios logísticos e escassez de recursos, mas continua a oferecer suporte psicológico.
Atualmente, cem profissionais da GCMHP trabalham diariamente em Gaza, visitando famílias e atendendo em abrigos. A falta de combustível e a insegurança dificultam o acesso a algumas áreas, mas a equipe se recusa a permanecer inerte diante da destruição social. “O que opção há? Sentar e assistir?”, questiona Abu Jamei.
A UNICEF estima que um milhão de crianças em Gaza necessitam de apoio psicológico. O trauma acumulado ao longo de dezoito anos de bloqueio e conflitos se intensifica com a atual guerra. “O impacto psicológico continuará por gerações”, afirma o psiquiatra, que atualmente coordena esforços de arrecadação de fundos fora da região.
Desafios e Estratégias
A GCMHP, que antes da guerra contava com setenta profissionais, conseguiu aumentar sua equipe para atender a demanda crescente. Em 2024, o programa alcançou setenta mil pessoas em Gaza. A equipe está dividida em três grupos, atuando em diferentes regiões, mas enfrenta dificuldades constantes, como a destruição de sua sede e a falta de transporte.
Os atendimentos em abrigos revelam um quadro alarmante. Muitos pais relatam sentimentos de culpa por não conseguirem prover o básico para seus filhos. Os sintomas em crianças incluem incontinência, medo constante e até a perda da fala. A escassez de alimentos agrava a situação, com relatos de crianças que nunca experimentaram alimentos básicos.
Impacto e Futuro
Apesar das adversidades, a GCMHP tem conseguido ajudar algumas crianças a recuperar habilidades sociais, como falar e brincar. No entanto, a continuidade dos bombardeios limita o alcance do trabalho. “Precisamos de paz verdadeira”, enfatiza Abu Jamei, referindo-se à necessidade de um ambiente seguro para a recuperação psicológica.
A organização depende de doações de países europeus e de pequenas entidades dos Estados Unidos e Itália. A instabilidade política e a incerteza sobre o futuro de Gaza afetam a continuidade do financiamento, o que representa um desafio adicional para a manutenção dos serviços essenciais de saúde mental.
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