A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou nesta sexta-feira a suspensão do projeto que visava criar um plano de saúde simplificado. Este modelo, que se concentrava em consultas eletivas e exames, não oferecia cobertura para emergências e internações. A decisão foi tomada em uma reunião da diretoria colegiada da ANS, que considerou necessário um aprofundamento técnico sobre a proposta.
A proposta, lançada em fevereiro, foi vista por operadoras como uma oportunidade de expansão do setor. Contudo, gerou preocupações entre especialistas e servidores da ANS. A nova câmara técnica será responsável por analisar aspectos técnicos, jurídicos e regulatórios do projeto, buscando um entendimento que guiará a decisão final da agência.
A suspensão do projeto também está ligada a uma recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou que a ANS deve regular os cartões de desconto e benefícios. O crescimento desses serviços, frequentemente oferecidos por clínicas populares, foi um dos argumentos utilizados pela ANS para justificar a criação do plano simplificado. Alexandre Fioranelli, diretor de Normas e Habilitação dos Produtos, destacou que a medida visa preservar a integridade dos atos administrativos e garantir a legalidade das decisões da agência.
A saída de Fioranelli, um dos principais defensores do projeto, coincide com a suspensão. O Ministério Público Federal (MPF) já havia solicitado novos estudos sobre a proposta, apontando a falta de participação do Ministério da Saúde nas discussões. Apesar de uma decisão judicial anterior ter reconhecido a legalidade da proposta, a ANS optou por interromper a tramitação até que a câmara técnica conclua seus trabalhos.
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