Mulheres com tecido mamário denso enfrentam desafios no rastreamento do câncer de mama, pois mamografias convencionais frequentemente não conseguem detectar tumores. Um novo estudo revelou que a mamografia com contraste detecta três vezes mais cânceres invasivos em mamas densas do que o ultrassom, sugerindo que esse método deve ser o padrão para mulheres de alto risco.
A pesquisa, publicada na revista *The Lancet*, envolveu mais de nove mil mulheres com idades entre cinquenta e setenta anos. Os exames foram realizados em dez locais de triagem no Reino Unido entre outubro de dois mil e dezenove e março de dois mil e vinte e quatro. Os resultados mostraram que a mamografia com contraste identificou 19,2 cânceres a cada mil exames, enquanto a ressonância magnética detectou 17,4 e o ultrassom apenas 4,2.
A professora de radiologia Fiona J. Gilbert, autora principal do estudo, destacou que a mamografia com contraste pode encontrar tumores menores que os detectados por mamografias convencionais. O contraste permite que os cânceres se destaquem, facilitando a identificação. JoAnn Pushkin, diretora executiva do grupo educacional DenseBreast-info, afirmou que esses exames podem salvar vidas ao detectar cânceres em estágios iniciais, antes que se espalhem.
Apesar da eficácia, a mamografia com contraste ainda não é aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) para rastreamento, sendo utilizada principalmente após achados suspeitos. Gilbert alertou que, embora exames adicionais possam levar a detecções mais precoces, também podem resultar em sobrediagnóstico e sobretratamento.
O estudo também registrou eventos adversos, com algumas pacientes apresentando reações ao contraste. Entretanto, a maioria dos cânceres detectados era invasiva e potencialmente fatal. Louise Duffield, uma das participantes, teve um tumor em estágio inicial identificado durante o estudo, o que pode ter evitado complicações futuras.
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