Cinco meses após a morte de José Augusto Mota da Silva, de 32 anos, a família recebeu o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) que revelou a causa da morte como edema pulmonar e miocardiopatia, e não infarto, como inicialmente informado. O garçom e artesão faleceu em uma cadeira da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, em dezembro de 2022, após esperar por atendimento devido a fortes dores abdominais.
A demora na entrega do laudo e a discrepância nas informações geraram indignação entre os familiares. Meiriane Mota da Silva, irmã de José Augusto, expressou sua revolta, afirmando que ele buscou ajuda médica várias vezes antes de sua morte, mas foi tratado com descaso. A imagem do corpo do artesão na UPA viralizou nas redes sociais, provocando comoção pública.
A Prefeitura do Rio reconheceu falhas no atendimento e demitiu treze profissionais que estavam de plantão no dia da morte. A Secretaria Municipal de Saúde informou que os processos de acolhimento e atendimento na UPA foram revisados e que as equipes passaram por nova capacitação. A família, no entanto, continua sem respostas e já entrou com um pedido de indenização na Justiça.
A investigação sobre o caso está sendo conduzida pela Polícia Civil, com acompanhamento de uma sindicância administrativa da prefeitura. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) e a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores também abriram um processo para apurar as circunstâncias da morte. Douglas Batista da Silva, amigo de José Augusto, relatou que ele chegou à UPA por volta das 19h30 e faleceu às 21h, após ser ignorado por funcionários.
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