Desde o início do conflito em Gaza em outubro de 2023, a situação humanitária se deteriorou rapidamente, resultando em milhares de mortes e deslocamentos forçados. Noura, uma mulher palestina de 26 anos, e seu marido Mohamed perderam seus gêmeos e embriões congelados após a destruição do Al-Basma Fertility Centre em dezembro de 2023. A clínica, que havia sido crucial para a concepção do casal, foi atingida durante os bombardeios.
Noura ficou grávida em julho de 2023 após anos de tratamento de fertilidade. Ela descreve a alegria ao ver o teste positivo, mas essa felicidade foi interrompida pela escalada do conflito. Com a intensificação dos ataques, o casal foi forçado a fugir repetidamente, enfrentando dificuldades para obter alimentos e cuidados médicos essenciais. Durante a gravidez, Noura sofreu uma hemorragia severa e, devido à falta de transporte, foi levada a um hospital em um caminhão de lixo. Infelizmente, um dos gêmeos nasceu morto e o outro faleceu poucas horas depois.
O diretor do Al-Basma Fertility Centre, Baha Ghalayini, lamenta a destruição da clínica, que abrigava cerca de quatro mil embriões congelados e mais de mil amostras de esperma e óvulos. Ele explica que os tanques que preservavam esses materiais foram danificados durante o ataque, e a falta de nitrogênio para manter a temperatura adequada levou à perda irreparável dos embriões. Estima-se que entre 100 e 150 mulheres perderam a chance de ter filhos, muitas delas enfrentando condições de saúde que dificultam novos tratamentos.
A Comissão de Inquérito da ONU acusou Israel de atacar intencionalmente a clínica, alegando que isso faz parte de uma estratégia para reduzir a população palestina. O governo israelense nega as acusações, afirmando que suas operações visam minimizar danos a civis. A destruição do Al-Basma Fertility Centre é um reflexo da devastação que afeta todos os nove centros de fertilidade em Gaza, deixando muitos casais sem opções para realizar seus sonhos de paternidade.
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