A Organização Mundial da Saúde (OMS) reafirmou que não existe quantidade segura de álcool que não afete a saúde. Um estudo recente reforçou essa afirmação, mostrando que até uma dose diária pode aumentar o risco de doenças, incluindo câncer. A discussão sobre a proibição do consumo moderado e a necessidade de educação sobre o uso responsável do álcool ganhou destaque.
A OMS já havia alertado que três milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência do uso abusivo de álcool, o que equivale a seis mortes por minuto. No Brasil, não há diretrizes específicas sobre o consumo de álcool, mas recomenda-se seguir as orientações da OMS. Profissionais de saúde têm evitado incentivar o consumo, especialmente entre adolescentes, pois estudos indicam que o início precoce no consumo de álcool aumenta o risco de dependência.
A psiquiatra Patrícia Hochgraf, coordenadora do Programa da Mulher Dependente Química, explica que cada pessoa metaboliza o álcool de forma diferente, tornando impossível determinar uma dose segura. Fatores como gênero, idade e predisposição genética influenciam os riscos associados ao consumo. O diagnóstico de transtorno por uso de álcool é baseado no impacto do consumo na qualidade de vida do indivíduo.
Evidências Científicas
O psiquiatra Guilherme Messas, professor da Santa Casa de São Paulo, destaca que as evidências científicas sobre os riscos do álcool têm se acumulado. Uma revisão de estudos publicada na revista *The Lancet* em 2018 concluiu que não há limite seguro para a ingestão de álcool. O estudo analisou dados de mais de cem mil pessoas em 195 países entre 1990 e 2016, revelando que o risco de adoecer aumenta em 0,5% com uma dose diária e chega a 37% com cinco doses.
Apesar da gravidade dos achados, a implementação de medidas práticas para reduzir o consumo de álcool é desafiadora. No Brasil, o álcool é consumido de forma recreativa e não existem definições oficiais sobre o que constitui uma dose padrão. A OMS recomenda um máximo de duas doses diárias para homens e uma para mulheres, com abstinência em pelo menos dois dias da semana.
Abordagem Preventiva
A psiquiatra Patrícia ressalta a importância de estabelecer limites para o consumo de álcool, a fim de facilitar estudos e medidas de controle. A prevenção do uso excessivo entre adolescentes é crucial, pois quanto mais cedo se inicia o consumo, maior o risco de problemas futuros. A educação sobre o uso responsável do álcool é vista como uma alternativa mais eficaz do que a proibição.
Messas argumenta que a ideia de “consumo moderado” deve ser abandonada, pois não existe uso seguro do álcool. Ele defende a necessidade de mais restrições e taxações sobre bebidas alcoólicas, enfatizando que a saúde pública deve ser priorizada.
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