Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, utilizaram moscas-das-frutas (Drosophila melanogaster) para investigar as bases genéticas do vício em cocaína. O estudo, publicado na revista *The Journal of Neuroscience* em dois de junho, revela que a cocaína é um psicoestimulante viciante e que o risco de desenvolver transtorno por uso de cocaína (TUC) é elevado devido a fatores hereditários.
Os cientistas descobriram que as moscas evitam a cocaína devido ao seu sabor amargo, que ativa os receptores de detecção de amargor, conhecidos como Gr66a. Para contornar essa aversão, os pesquisadores mutaram o gene Gr66a, reduzindo a percepção do amargo. Com essa alteração, as moscas passaram a se aproximar de soluções contendo cocaína.
Após um período de privação alimentar, as moscas com o gene mutado mostraram preferência pela solução de cocaína em relação à de sacarose. Esse comportamento sugere que a alteração na percepção do sabor pode influenciar o consumo de substâncias viciantes. Adrian Rothenfluh, líder da pesquisa, destacou que os genes envolvidos no vício em cocaína em humanos podem ter paralelos nas moscas.
Os pesquisadores ressaltaram que, embora a cocaína tenha um sabor amargo para humanos, a percepção do amargor pode não ser tão relevante no consumo da droga. O estudo abre novas possibilidades para investigar variantes genéticas associadas ao TUC em humanos, permitindo um melhor entendimento dos mecanismos que levam ao vício.
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