A epidemia de doença renal crônica de causa desconhecida (CKDu) tem afetado severamente trabalhadores agrícolas em El Salvador desde os anos 1990. Recentemente, a Agência de Desenvolvimento e Saúde Agrícola (AGDYSA) abriu um escritório em Tierra Blanca, devido ao aumento de casos. Pesquisadores identificaram que o estresse térmico e a desidratação são fatores críticos para a progressão da doença.
Oscar, um trabalhador de 33 anos, foi um dos muitos que buscaram atendimento médico em uma clínica local. Ele e sua esposa aguardavam resultados sobre a saúde de seus rins. Cerca de um em cada quatro homens adultos na região de Bajo Lempa apresenta algum tipo de doença renal, um número alarmante comparado à média global de um em cada dez. Aproximadamente 17% dos homens na região vivem com insuficiência renal.
A epidemia, que começou em Bajo Lempa, já se espalhou por outros locais da América Central e do mundo. O especialista em medicina ocupacional Emmanuel Jarquín, fundador da AGDYSA, afirma que tensões térmicas e trabalho intenso em altas temperaturas são fatores principais. Ele destaca que muitos trabalhadores não têm acesso a tratamento adequado, o que agrava a situação.
O fenômeno é exacerbado pelas mudanças climáticas, que podem aumentar a prevalência da CKDu. Em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a doença como uma importante causa de morte e deficiência, promovendo esforços para prevenção. O impacto do calor extremo no corpo humano é significativo, especialmente para os rins, que são vulneráveis a lesões por estresse térmico.
Estudos indicam que pequenos danos acumulados ao longo do tempo podem levar à falência renal. Pesquisadores buscam biomarcadores que possam detectar lesões renais antes que a função renal diminua drasticamente. A situação em El Salvador serve como um alerta sobre os riscos da exposição ao calor e a necessidade de medidas de proteção para trabalhadores agrícolas.
Entre na conversa da comunidade