Em um zoológico de Sydney, foi criado o maior repositório do mundo de corais criogenicamente preservados, com bilhões de células coletadas anualmente da Grande Barreira de Corais. Este projeto visa a regeneração de espécies ameaçadas, já que os recifes enfrentam riscos severos devido às mudanças climáticas. Cientistas alertam que até 90% dos recifes podem desaparecer com um aumento de 1,5°C na temperatura global.
O repositório, descrito como uma “Arca de Noé congelada”, armazena células de 34 das aproximadamente 400 espécies de corais da Grande Barreira. Justine O’Brien, chefe de ciência da conservação da Sociedade de Conservação de Taronga, afirmou que “um botão de pausa foi pressionado em seus relógios biológicos”. Desde 2011, o Banco CryoDiversity de Taronga coleta esperma durante a temporada de desova dos corais, misturando-o com crioprotetores para preservação.
As amostras são armazenadas em nitrogênio líquido a -196°C, permitindo que permaneçam viáveis por tempo indeterminado. O’Brien destacou que, mesmo após décadas, as células mantêm seu potencial fertilizante. No ano passado, pesquisadores descongelaram esperma de coral para fertilizar óvulos frescos, resultando em larvas viáveis que foram recolocadas no recife.
Desafios e Esperanças
A cobertura de corais vivos caiu pela metade desde a década de 1950, e um evento global de branqueamento afeta 84% dos recifes do mundo. A Iniciativa Internacional para os Recifes de Coral aponta que os recifes sustentam a vida marinha e comunidades costeiras, oferecendo alimento e proteção contra tempestades. A próxima cúpula oceânica da ONU, marcada para a França, busca ações para proteger os oceanos, mas enfrenta desafios como disputas sobre mineração em alto-mar e pesca predatória.
Richard Leck, chefe de oceanos do WWF-Austrália, ressaltou que os recifes são resilientes, mas a frequência dos impactos atuais não permite recuperação adequada. O banco de criopreservação representa uma esperança em meio à crise global dos recifes de corais.
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