A Polícia Militar de São Paulo enfrenta um aumento alarmante nos pedidos de afastamento por questões de saúde mental. Desde 2020, foram quase 3.500 solicitações, com 653 licenças apenas no último ano, o que representa uma média de quase dois casos diários. Nos primeiros três meses de 2025, já foram registrados 206 novos casos, indicando uma tendência crescente.
Em 2024, a corporação também viu um recorde de exonerações, com 788 PMs deixando a força, o maior número desde 2018. Esse aumento de 19,5% em relação ao ano anterior reflete uma insatisfação crescente, especialmente entre soldados de primeira classe. O soldado Lucas Cardoso dos Santos Neto, que acumula afastamentos por saúde mental, aguarda a aprovação de sua exoneração e relata crises de ansiedade e dificuldades no tratamento.
A situação é preocupante, com 57% dos policiais afastados diagnosticados com depressão ou ansiedade. A Secretaria da Segurança Pública afirma que oferece suporte psicológico, mas muitos policiais relatam que a cultura da corporação desestimula a busca por ajuda. A psiquiatra Alexandrina Meleiro, que atende diversos policiais, observa um aumento nos casos de estresse pós-traumático e problemas de saúde relacionados ao trabalho.
Os afastamentos não apenas impactam a saúde mental dos policiais, mas também refletem na letalidade policial, que continua alta em São Paulo. Até 17 de março de 2025, foram registradas 352 mortes decorrentes de intervenções policiais, uma média de uma morte a cada 12 horas. A crise na saúde mental da tropa e o aumento das exonerações revelam um cenário desafiador para a Polícia Militar paulista.
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