Ministério da Saúde lança campanha para incentivar doação de órgãos
Mais de 80 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, e a recusa de doação de órgãos atinge 45% das famílias. O principal motivo para a recusa é a falta de comunicação entre o falecido e sua família sobre a vontade de ser doador. Para combater esse problema, o Ministério da Saúde lançou uma campanha para estimular a doação de órgãos e reduzir a recusa familiar.
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, destacou a segurança e seriedade do Programa Nacional de Transplantes. “Quando um profissional de saúde vier conversar com a família para fazer essa doação, saiba que esse profissional tem todo o reconhecimento internacional de um programa extremamente seguro”, afirmou Padilha. O ministro também assinou uma portaria que cria a Política Nacional de Doação e Transplantes, regulamentando transplantes de intestino delgado e multivisceral e incorporando o uso rotineiro da membrana amniótica para pacientes queimados.
Política Nacional de Doação e Transplantes
A nova política organiza os princípios e diretrizes do Sistema Nacional de Transplantes, reforçando a ética, a transparência e a gratuidade no acesso pelo SUS. Um dos principais avanços é a regulamentação dos transplantes de intestino delgado e multivisceral, que agora foram incluídos no SUS. Com isso, pacientes com falência intestinal poderão ser tratados totalmente na rede pública de saúde.
Outra inovação é a incorporação do uso rotineiro da membrana amniótica, tecido obtido da placenta após o parto, para pacientes queimados, especialmente crianças. Esse procedimento favorece a cicatrização e reduz as dores e o risco de infecções.
Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos
Além disso, foi lançado o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes, chamado de Prodot. Este programa tem o objetivo de reconhecer e valorizar as equipes que atuam dentro dos hospitais e são responsáveis pela identificação de potenciais doadores. Esses profissionais terão incentivos financeiros conforme o volume de atendimento e indicadores de desempenho, incluindo o aumento das doações.
Brasil lidera em transplantes no SUS
Atualmente, o Brasil ocupa a terceira posição mundial em número absoluto de procedimentos de transplantes de órgãos, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. No entanto, o país lidera em transplantes realizados integralmente por um sistema público. Só no primeiro semestre deste ano, foram realizados 14,9 mil transplantes, o maior número da série histórica. Mas esse valor poderia ser ainda maior se a recusa não fosse tão grande.
Com o mote “Doação de Órgãos. Você diz sim, o Brasil inteiro agradece. Converse com a sua família, seja um doador”, a campanha começará a ser veiculada ainda neste mês de setembro, quando é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos, no dia 27.
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