Em 2024, a tuberculose se destacou como uma das doenças infecciosas mais letais, com aproximadamente 1,2 milhão de mortes e 10,7 milhões de novos casos registrados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que a maioria das novas infecções, cerca de 87%, ocorreu em apenas 30 países, com destaque para Índia, Indonésia, Filipinas, China, Paquistão, Nigéria, República Democrática do Congo e Bangladesh.
A transmissão da tuberculose, que ocorre principalmente em ambientes aglomerados, afeta principalmente os pulmões, mas também pode comprometer outros órgãos. Os sintomas mais comuns incluem tosse com secreção, cansaço excessivo e emagrecimento acentuado. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, enfatizou a gravidade da situação, afirmando que é “inadmissível” que uma doença prevenível e curável continue a causar tantas mortes.
Desafios e Financiamento
Um novo relatório da OMS, divulgado em 2025, destaca a estagnação do financiamento global para o combate à tuberculose, que em 2024 foi de apenas US$ 5,9 bilhões, muito abaixo da meta de US$ 22 bilhões anuais até 2027. A falta de recursos pode resultar em até 2 milhões de mortes adicionais entre 2025 e 2035, se não houver um aumento significativo nos investimentos.
Além disso, o relatório aponta que, desde 2000, o tratamento da tuberculose salvou cerca de 83 milhões de vidas. Em 2024, 8,3 milhões de pessoas foram diagnosticadas e iniciaram tratamento, representando 78% dos casos. Contudo, as taxas de novos casos e mortes diminuíram apenas 2% e 3%, respectivamente, entre 2023 e 2024.
Situação no Brasil
No Brasil, foram registrados 84.308 novos diagnósticos de tuberculose no último ano. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicou que quase 40% das infecções têm origem em transmissões no sistema prisional, revelando a intersecção entre saúde e desigualdade social. O infectologista Julio Croda destacou que as condições precárias enfrentadas por populações vulneráveis aumentam o risco de adoecimento.
A OMS também divulgou dados sobre a proteção social nos 30 países com alta carga de tuberculose, mostrando uma cobertura que varia drasticamente, de 3,1% em Uganda a 94% na Mongólia. Essa variação evidencia a necessidade urgente de políticas eficazes e investimentos adequados para combater a epidemia global de tuberculose.
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