Desde o Carnaval, o tema do assédio volta a ocupar o centro das discussões sobre segurança pública e convivência nas ruas. A celebração, que envolve milhões, também expõe dilemas de proteção e respeito para mulheres em espaços públicos, segundo a leitura de dados recentes.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que quase metade das brasileiras já passou por situações de assédio durante o Carnaval. O estudo reforça que o medo de sofrer violência é comum e influencia como a festa é vivenciada por grande parte do público feminino.
O levantamento indica que, embora haja consenso sobre a responsabilidade coletiva de combater o assédio, ainda existem crenças que normalizam ataques. Em muitos casos, mulheres precisam planejar trajetos, evitar horários e andar em grupo para reduzir riscos.
Essa realidade levanta a necessidade de mudanças estruturais na organização da festa. A pesquisa destaca que a presença do Estado, a atuação de organizadores e regras claras são essenciais para respostas rápidas e prevenção efetiva.
Medidas e contexto
Representantes citam campanhas de prevenção como parte da solução, desde que associadas a acolhimento e orientação. A rede de apoio precisa prever canais de denúncia e apoio imediato, sem colocar a responsabilidade apenas na vítima.
O Carnaval é, para muitos, expressão cultural e econômica. Garantir que todos ocupem o espaço público com dignidade passa pela visibilidade de riscos, pela melhoria da supervisão e por estratégias de proteção que abrangem toda a cidade.
Fonte: CartaCapital, edição n° 1400, 18 de fevereiro de 2026.
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