O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026 foi concedido nesta segunda-feira (5) ao norte-americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel, por descobertas sobre luz e optogenética que ampliaram a compreensão sobre o funcionamento do cérebro.
Segundo a Assembleia Nobel do Instituto Karolinska, universidade médica sueca, Deisseroth, de 54 anos, Hegemann, de 71, e Nagel, de 73, foram escolhidos por suas “descobertas relacionadas aos canais iônicos ativados pela luz e à optogenética”. Os três vão repartir o prêmio de 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a US$ 1,2 milhão.
De acordo com Thomas Perlmann, secretário-geral da Assembleia Nobel do Karolinska, a optogenética “torna possível ativar ou desativar a atividade de células nervosas individuais em um cérebro vivo“.
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“Esse método está sendo usado atualmente em laboratórios em todo o mundo para desvendar os mistérios do cérebro“, acrescentou.
Em testes clínicos, cientistas vêm restabelecendo a visão de pessoas cegas em decorrência da retinite pigmentosa, com a inserção de uma proteína sensível à luz na retina. A expectativa é que a técnica também aperfeiçoe os implantes cocleares, ao estimular o nervo auditivo com mais precisão do que os aparelhos elétricos usados hoje.
Por tradição, o prêmio de medicina abre a temporada anual do Nobel. Nos próximos dias, serão anunciados os vencedores das categorias de física, química, literatura, paz e economia.
A descoberta
Nos primeiros anos da década de 1990, Hegemann estudou a reação da alga Chlamydomonas à luz, que ocorre em meio milissegundo. A hipótese dele era que uma única proteína captava a luz e funcionava como canal iônico.
Nagel pôs a ideia à prova ao injetar genes da alga em óvulos de rã, o que levou à descoberta da canalrodopsina-2, um canal iônico que se abre na presença de luz.
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Em 2003, os dois publicaram que a proteína podia ser inserida em células humanas e de hamster para gerar impulsos elétricos a partir da luz. Dois anos depois, Deisseroth, da Universidade Stanford, aplicou a técnica em neurônios de ratos, e o método passou a se chamar optogenética em 2006.
O secretário-geral da Assembleia Nobel contou ter conversado com os três vencedores pela manhã e disse que todos ficaram surpresos e felizes com a notícia.
“Todos os três disseram a mesma coisa: que achavam absolutamente maravilhoso receber o prêmio junto com os outros dois, a quem chamam de amigos. Que é uma grande honra recebê-lo juntos. Foi isso que eles transmitiram”, afirmou.
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