O avanço das inteligências artificiais (IAs) pode provocar uma transformação social sem precedentes, segundo o historiador Yuval Noah Harari. Durante o CEO Council Summit, promovido pelo Wall Street Journal, Harari alertou para a criação de uma “classe inútil”, composta por milhões de trabalhadores que perderão relevância no mercado de trabalho.
Harari enfatizou que a IA não é apenas uma ferramenta, mas um agente autônomo capaz de aprender e agir sem intervenção humana. Ele destacou que, pela primeira vez, a humanidade enfrenta concorrência no planeta, já que as tecnologias anteriores dependiam da ação humana. “A IA não precisa de nós”, afirmou.
Um dos setores mais afetados será o mercado financeiro, onde a IA pode dominar rapidamente, devido à natureza informacional do setor. Harari comparou a atual revolução da IA à Revolução Industrial, quando muitos duvidavam do impacto das ferrovias. Ele previu que instrumentos financeiros complexos surgirão, tornando-se incompreensíveis para o cérebro humano.
Riscos e Desafios
Além das mudanças no mercado de trabalho, Harari alertou sobre a corrida armamentista entre países e empresas, que temem ficar para trás se desacelerarem o desenvolvimento da IA. Ele também comparou a chegada da IA a uma imigração digital em massa, onde novos agentes inteligentes disputarão empregos e influenciarão valores culturais.
O futuro da IA, segundo Harari, não é predeterminado e dependerá de escolhas políticas e empresariais. Ele ressaltou que a mesma tecnologia pode levar a sociedades muito diferentes, como ocorreu no século XX, quando as inovações foram utilizadas tanto para construir democracias quanto regimes totalitários.
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