O Sistema Cantareira tem armazenamento de água muito abaixo do esperado para o período. Na manhã de 5 de fevereiro, o nível atingia 24,4% da capacidade total, frente a 55,3% há um ano. No fim do verão de 2025, o Cantareira operava com 58% da capacidade.
A situação resulta de dois períodos úmidos fracos consecutivos, chuva irregular no tempo e calor intenso recente, que elevou a evaporação. Quando a recuperação não ocorre em um período úmido, os déficits se acumulam.
A recuperação depende de chuvas frequentes e persistentes exatamente nas áreas de captação. O Cantareira é formado por represas interligadas, destacando Jaguari e Jacareí, localizadas na divisa de São Paulo com o Sul de Minas.
Chuvas intensas na capital não atingem diretamente essas áreas fronteiriças. A chuva precisa ocorrer nas regiões de Jaguari, Jacareí e demais reservatórios para influenciar o volume armazenado.
Outras usinas do sistema incluem Cachoeira, Atibainha, Paiva, Castro e Águas Claras, mas o desempenho é definido pelo comportamento das principais reservas.
A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) também é relevante para recarga, mas nem sempre atua nas mesmas áreas nem com a mesma intensidade, variando por evento e por ano.
Mesmo com chuvas volumosas em parte do estado, a recuperação integral do Cantareira pode ser lenta, mantendo o nível abaixo do ideal por semanas ou meses.
O monitoramento constante, o planejamento e o uso consciente da água continuam essenciais para a segurança hídrica, especialmente em períodos de escassez.
Para entender por que chuva forte nem sempre eleva o nível, leia o conteúdo explicativo sobre “Não é qualquer chuva que enche represa”.
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