O avanço das fontes renováveis no Brasil, especialmente solar e eólica, coloca o país em posição de destaque na transição energética global. No entanto, cresce um entrave técnico: o curtailment, corte na geração quando há excesso de oferta ou limitações no sistema elétrico.
Manoel de Andrade, vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Desenvolvimento da Atlas Renewable Energy, explica que o fenômeno ocorre para manter o equilíbrio do sistema e evitar instabilidades. Parte da energia gerada precisa ser interrompida.
O problema não seria apenas o ritmo de expansão, mas a forma como ocorreu. Segundo ele, a aceleração de solar e eólica não foi acompanhada de regras e mecanismos capazes de garantir equilíbrio de forma planejada.
Causa e impactos
O curtailment dificulta a previsibilidade do setor e gera insegurança para investimentos. Apesar de avanços regulatórios recentes para reduzir o problema, o quadro permanece incompleto para uma solução definitiva.
Mesmo com a oferta abundante de recursos renováveis, o excesso de energia em horários de pico pode exigir cortes. Enquanto isso, o país recorre a fontes mais caras e poluentes em momentos de maior demanda.
Caminhos e soluções
O setor aponta a necessidade de modernização regulatória e tecnológica. Entre as propostas estão regras mais claras para o rateio dos cortes e a adoção de sistemas de armazenamento, como baterias, para guardar energia.
Segundo Andrade, a utilização de baterias permitiria armazenar o excedente e liberá-lo quando a carga exigir, reduzindo a necessidade de cortes imediatos e aumentando a eficiência do sistema.
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